quarta-feira, 23 de janeiro de 2008

Outra Dúvida Existencial

Ele há coisas... Em Chaves, deve entrar em funcionamento, em finais de 2009, um hospital privado, com maternidade e serviço de Urgência permanente; em Vila Real, está anunciado um hospital privado no agora Hotel do Parque; em Mirandela, deverá abrir daqui a um ano um hospital privado... Teófilo Leite, administrador da Casa de Saúde de Guimarães, que, com o Hospital Particular de Viana do Castelo, detém o empreendimento previsto para Chaves, explica o objectivo destas movimentações em tropel: «Pretendemos responder às necessidades locais.» Mas havia necessidades locais onde foram encerrados serviços? E desvenda o negócio: «O financiamento dos cuidados de saúde passa também pelos seguros de saúde.» Mas não chegam os impostos e as taxas moderadoras? O SNS retira, a iniciativa privada conquista. Faz bem, principalmente porque não precisa, sequer, de custear tiros de artilharia... Vendo isto, parece que a ideia é deixar uns restos de serviços públicos aos que não têm posses para contratar com as seguradoras, retomando-se a política assistencial caritativa do Estado, complementada pelos «chás-canasta». E levanta-se uma dúvida lancinante, descontados impróprios desígnios beneméritos: porque é que, para o SNS, não há «clientes», justificando-se encerramentos, e para os privados há clientes, justificando-se aberturas? Ele há coisas... Quererá o Governo esclarecer-nos, explicando ao País, de forma que ele entenda, como se insere esta evolução no reiterado propósito de preservar o Serviço Nacional de Saúde universal e tendencialmente gratuito? João Paulo de Oliveira in Tempo Medicina 1.º Caderno de 2008.01.21

1 comentário:

Luz disse...

Ou eu me distraí ou escreveste muito mais que o costume...
Realmente há coisas. Qualquer dia temos um modelo igual ao dos EUA, pena não ser em tudo.