terça-feira, 29 de junho de 2010

"Acho" e "Posso"

Isto a propósito de uma crónica televisiva sobre uma Urgência (julgo que no HSFX em Lisboa).
Era engraçado, o vácuo de propósito da mesma. Falava-se em tempos de espera, nas pulseirinhas e suas respectivas prioridades, no que achava a enfermeira e a Dra sobre o número de "Urgências" daquele e doutros dias....
Até que culmina na pérola. Sem que se conseguisse perceber facilmente, tinham começado as entrevistas aos "utentes" da mesma Urgência. Ele era o "Pai com inchaço nas pernas, a ver se podem fazer alguma coisa...", ele era a "pancada na perna anteontem, e a dor que não passava", as "manchas" que surgiram há uns dias e persistiam, a "ver se alguém lhe sabia dizer o que era aquilo"....
Um fartote.
Opinião crítica sobre isso tudo? Nem pó, deve ser normal, o que por sua vez me coloca naquele percentil de população a razar o hospício (quando achamos que o mundo anda todo doido, diz-me a experiência que somos capazes de precisar de um divã, devidamente apetrechado com um "Dr dos nervos").
Decido então pensar cientificamente, no porquê daqueles seres julgarem que podiam estar ali naquela Urgência, com aquele tipo de queixas?
Bem, a evidência observacional é simples: achavam que podiam, porque de facto... podem.
Para quando taxas a sério para todos aqueles que vão por sua iniciativa (não encaminhados por profissionais de saúde) às Urgências por esse país fora, sem que na alta se confirme ter havido motivo para tal (com base no diagnóstico da alta)? Não era preciso multa, bastava que pagassem a despesa que dão ao Estado nesse seu desvario. O que, num Hospital Central, significa coisa para +-150 euros, sem exames incluídos.
É que pagar até pagam. Só que diluído por todos nós, em vez de apenas os iluminados pela Irmandade dos Direitos Universais de uns à pala de todos.
Até que um dia falte mesmo...?

segunda-feira, 28 de junho de 2010

O Erro de "Casting" da Enfermagem em Portugal

A meu ver, a turbulência que se vive nessa classe deve-se a um equívoco.
E o equívoco começou com o aparentemente inofensivo Tratado de Bolonha. Passou a exigir-se-lhes licenciatura, prolongou-se o curso, exigiram-se formação aos bacharelados, criaram-se especialidades, alimentaram-se expectativas. Agora admiram-se que a nova licenciatura exija ser reconhecida (e já agora paga) como tal? Admiram-se que, enquanto licenciados (e especialistas), os enfermeiros estejam a requerer mais competências, relativamente às que tinham dantes?
O tratamento global do doente é competência da ciência "Medicina". Não me interpretem mal, há muita gente comichosa no meio, e por isso passo a explicar. É natural que todo aquele que tem brio em profissões de saúde, que lidam directamente com o doente, procure aproximar-se ao máximo daquilo que poderemos designar como "competência médica". E os enfermeiros são os mais próximos dos médicos nessa "competência". Criam-se cursos, põem-se os profissionais lado a lado, nem que seja à custa de uma formação de 2 semanas mal contadas no caso das VMER's, e, repito, surge a confusão no espírito de certas almas que vêem nisso a evidência de equivalência, ou pelo menos de aparentar de competências.
E daí a querer-se prescrever, e querer-se diagnosticar, vai um passo, não se explicando bem o que se entende por isso, se de facto uma prescrição ou um diagnóstico tal como levei muitos anos a aprender fazer (em formação pré e, sobretudo, pós-graduada), ou se de seguimento autónomo de protocolos simples (do tipo: tem febre: paracetamol 1g se não houver evidência de contra-indicação) e preenchimento padronizado de programas informáticos (tipo "Manchester", com diagnóstico de sintomas, o mesmo é dizer, com registo da queixa do doente e seu agrupamento mais ou menos tosco em grupos nosológicos que se destinam a triagem de prioridades).
Muita confusão reina por aí, e quem anda no meio também não foge à regra.
Ou seja, o "erro de Casting" (do título), ou o equívoco, é que os enfermeiros que realmente são precisos hoje são os mesmos que se precisavam dantes (aqueles do bacharelato). Sem mais competências (ainda que se possam obviamente optimizar muitas delas), para além das que sempre tiveram, e que são muitas e necessárias (correndo o risco de ficar orfãs, nos tempos que correm, ou nas mãos de pessoas sem formação adequada).
Não é preciso "inventar" médicos alternativos, ou semi-médicos. Já há um curso para "clássicos", com formação pós-graduada e tudo, e que julgo ser bastante bom.
Mas enfim, é o que dá fazerem-se "reformas" inúteis, sem se medirem as consequências. Agora, vão ter que lidar com elas, os senhores governantes.
Quem já está a perder com isso tudo são os enfermeiros.
Mas quem vai ficar a perder no final é o doente, pelos motivos aflorados supra.

"Fasciisação" do Ensino

No "meu tempo", era possível a pessoas trabalhadoras, como os meus pais, com calculado sacrifício, pôr os filhos a estudar em escolas públicas onde havia disciplina, bons e maus professores, bons e maus alunos, mas onde se ensinava, e depois aprendia quem queria.
Hoje em dia tenho as minhas dúvidas que as coisas continuem assim, pelo menos de uma forma geral.
Hoje em dia parece-me que se entrou numa espécie de facilitismo do ensino, onde todo e qualquer burro julga ter o "direito" de ter aproveitamento escolar, onde todo e qualquer desordeiro julga ter o "direito" de fazer o que bem entende durante as aulas, perturbando-as e àqueles que até gostavam de aprender alguma coisa.
Mas, e isso é o pior de tudo, quem manda nisto julga ao mesmo tempo ter o dever de conceder esses "direitos" aos animaizinhos, e estes entranham-se lentamente numa lenta cancerização daquilo que, ao invés de facultar formação e ensino a quem quer, inviabiliza que aqueles que não têm possibilidade de fugir deste "sistema" público saiam da bitola social menor dos seus progenitores, perpetuando um ciclo que assim se torna vicioso, e totalmente anti-meritocrático.
Percebam já agora uma coisa, a mim pessoalmente não me chateia nada, pois felizmente tenho meios, e os meus filhos irão, seguramente, para onde tiverem a capacidade de ensinar alguma coisa. Bem vistas as coisas, estarão em franca vantagem competitiva com todos os outros desgraçados que não conseguem (e não falo da minoria que não quer saber disso para nada) fugir desta coisa a que chamam "ensino público", e que muitas vezes apenas serve para entreter pais e crianças com pseudo-aproveitamentos, enquanto na prática incapacita os formandos que, mais tarde ou mais cedo, se confrontam com o seu real pouco valor competitivo.
A razão de ser deste desabafo é que, se fosse hoje, e nas mesmas circunstâncias, eu era bem capaz de não ter conseguido enveredar pela profissão que gosto.
E este Estado, que bem se vê tem sido ao longo dos anos incapaz, incompetente, irresponsável e hipócrita, teria a obrigação de me facultar as condições para eu lhe aceder em igualdade de circunstâncias com os que, à partida, seriam socialmente privilegiados relativamente a mim.
Porque o único dever de um Estado, numa sociedade realmente equalitária e justa, é facultar ensino para todos. Bom ensino, rigoroso, exigente, discriminatório. E não "dar aproveitamento", canudos, licenciaturas ou doutoramentos a todos. Pois, como já disse, aprende quem quer. Ou devia poder aprender quem quer.
Só não percebo é porque é que estas coisas parecem não chatear ninguém....

domingo, 27 de junho de 2010

Homeopatia

video
Alguns segundos de imagens, que valem infindáveis e infinitas palavras....

domingo, 6 de junho de 2010

Afinal, Sempre é Capaz de Ter Sido Letal...

La grippe A fait une nouvelle victime : l'OMS

Avec un peu plus de 18 000 morts recensés dans 214 pays par l'Organisation mondiale de la santé (OMS), la pandémie grippale due au nouveau virus A(H1N1) a déjoué les pronostics officiels. Elle s'est révélée plus bénigne que ne l'avaient prédit les scénarios les plus optimistes.

Un peu plus d'un an après que la directrice générale de l'OMS, le docteur Margaret Chan, annonçait officiellement, le 11 mai 2009, que les critères pour déclarer une véritable pandémie grippale étaient remplis, une question mérite d'être posée : la principale victime, dans cette affaire, n'est-elle pas l'OMS elle-même ?

Personne ne peut être mis en cause pour n'avoir pas su à l'avance comment se développerait l'épidémie partie du Mexique et des Etats-Unis. En revanche, le soupçon se fait de plus en plus pesant sur l'incapacité de l'institution internationale à maintenir les décisions stratégiques qu'elle a prises sur le niveau d'alerte sanitaire, les traitements et les vaccins contre le virus grippal A(H1N1) hors des eaux douteuses des conflits d'intérêts.

L'annonce du passage au stade de pandémie a ouvert un boulevard à quelques laboratoires pharmaceutiques, qui ont bénéficié d'une véritable manne financière, avec des ventes de vaccins dont les gains sont estimés entre 7 et 10 milliards de dollars.

Comment prendre au sérieux l'argumentaire de l'OMS ? Elle dit ne pas rendre publiques les déclarations d'intérêts que remplissent les experts participant à ses différents comités, au motif qu'elles comportent des informations d'ordre "privé" ? D'autres institutions et agences le font pourtant systématiquement.

Dans un rapport adopté le 4 juin par la commission de la santé de l'Assemblée parlementaire du Conseil de l'Europe, le député britannique Paul Flynn pose un bon principe. Il observe que la situation est caractérisée par une confiance décroissante dans les décisions de santé publique. Dans ce contexte, le souci de protéger certains aspects "privés" du CV des experts auprès des organisations internationales - leur appartenance ou non à un laboratoire, par exemple - ne peut "prévaloir sur le droit de 800 millions de citoyens à être ouvertement et pleinement informés sur les décisions majeures qui pourraient avoir un impact sur leur santé et leur bien-être individuels".

Margaret Chan a nommé un groupe d'experts chargé d'examiner la réponse à la pandémie et la manière dont a été appliqué le Règlement sanitaire international. Ce groupe a commencé ses travaux. Mais ce dont l'OMS a besoin rapidement, c'est d'un sérieux dépoussiérage de ses procédures et de la mise en oeuvre d'une véritable transparence et d'une sanctuarisation de ses décisions à l'égard de toute influence, notamment celle d'intérêts privés. Faute de quoi, non seulement l'OMS aura dilapidé le crédit qu'elle avait accumulé jusqu'ici face aux grands défis sanitaires, mais elle aura laissé le monde sans cabine de pilotage face à une future pandémie, qui ne sera pas nécessairement aussi clémente que l'a été, jusqu'ici, celle de 2009-2010.