quinta-feira, 10 de maio de 2007

Um bom Enfermeiro - versão Placebo

Aquele que monitoriza o doente, que liberta o médico para outros actos, trabalhando em equipa para optimizar a rápida e eficaz abordagem da doença.
Aquele que está atento ao doente e aos seus parâmetros vitais, chamando a atenção para potenciais descompensações ou evoluções inesperadas do quadro clínico (ou seja, o primeiro "monitor" a apitar).
Aquele que chama descomplexadamente a atenção ao médico quando assim o entende no interesse do doente, explicando o seu ponto de vista quanto àquilo que o intriga. Tem o direito a uma explicação, e o segundo tem o dever de a dar (a prepotência é inadmissível, demonstrativa de mau carácter). Não tem o direito à afirmação gartuita, sem dar direito de resposta ou explicação ao segundo (aí a prepotência é dele...).
Aquele que ajuda nas técnicas que domina, por inerência da profissão, melhor que o médico (punções venosas periféricas, entubações naso-gástricas, algaliações, etc...).
E claro que deveriam poder realizar mais técnicas ainda do que aquelas que podem, oficalmente, efectuar (é ridículo não poderem efectuar uma punção arterial, realizar um ECG, desde que tenham formação para o efeito).
E claro que poderiam e deveriam ter alguma liberdade de "prescrição": dar um paracetamol para a febre, seguir protocolos de redução de tensão arterial, de ajustes glicémicos com insulina, seguir protocolos de testes endocrinológicos padronizados, pedir directamente as exames ao laboratório nesses casos, avaliar a farmacodinâmica de certos fármacos que obedecem a protocolos (pico e vale de gentamicina, por exemplo), entre muitas, muitas outras coisas.... Julgo terem razão em sentirem-se apoucados por esse ridículo vazio de lógica desta situação.
Numa palavra, um bom Enfermeiro, para mim, é aquele que domina o know-how que implica a sua profissão, é aquele que convive cordialmente e numa toada de respeito com os demais profissionais de saúde, e sobretudo, aquele que põe os interesses dos doentes acima de tudo.
Tal como um bom médico, já agora.
Felizmente, contrariamente ao que se julga em dias menos bons, em que a grunhice tudo parece superar, existirá, estou certo, uma maioria de bons profissionais a exercer no SNS. Cabe-lhes distanciarem-se dos outros.
PS: não contem com o autor deste blog, nem para vestir de forma acéfala a camisola da corporação a que pertence, nem para se inibir de discordar com opiniões acéfalas de outras corporações.

1 comentário:

Hugo Roque disse...

Meu caro placebo, também eu procurarei elevar o debate.
Da mesma forma que tem uma opinião sobre aquilo que considera ser o perfil de um bom enfermeiro, também eu (naturalmente) tenho uma opinião sobre o perfil que considero aceitável num médico. Como é evidente, temos de estar conscientes dos nossos próprios limites, ou seja, só um enfermeiro poderá avaliar um enfermeiro, sendo o mesmo aplivável a um médico.
Contudo, e porque estamos no domínio pessoal das ipiniões (valendo desta forma o que valem, considero que estarei de acordo com grande parte daquilo que disse, ou, neste caso, escreveu.
E ressentimentos à parte, nomeadamente quanto à excelência deste ou daquele blog, lanço-lhe o convite, para que continue a apresentar livremente as suas opiniões no blog doutorenfermeiro, sendo que todos ficamos a ganhar.
Atenciosamente

Hugo Roque