segunda-feira, 28 de junho de 2010

O Erro de "Casting" da Enfermagem em Portugal

A meu ver, a turbulência que se vive nessa classe deve-se a um equívoco.
E o equívoco começou com o aparentemente inofensivo Tratado de Bolonha. Passou a exigir-se-lhes licenciatura, prolongou-se o curso, exigiram-se formação aos bacharelados, criaram-se especialidades, alimentaram-se expectativas. Agora admiram-se que a nova licenciatura exija ser reconhecida (e já agora paga) como tal? Admiram-se que, enquanto licenciados (e especialistas), os enfermeiros estejam a requerer mais competências, relativamente às que tinham dantes?
O tratamento global do doente é competência da ciência "Medicina". Não me interpretem mal, há muita gente comichosa no meio, e por isso passo a explicar. É natural que todo aquele que tem brio em profissões de saúde, que lidam directamente com o doente, procure aproximar-se ao máximo daquilo que poderemos designar como "competência médica". E os enfermeiros são os mais próximos dos médicos nessa "competência". Criam-se cursos, põem-se os profissionais lado a lado, nem que seja à custa de uma formação de 2 semanas mal contadas no caso das VMER's, e, repito, surge a confusão no espírito de certas almas que vêem nisso a evidência de equivalência, ou pelo menos de aparentar de competências.
E daí a querer-se prescrever, e querer-se diagnosticar, vai um passo, não se explicando bem o que se entende por isso, se de facto uma prescrição ou um diagnóstico tal como levei muitos anos a aprender fazer (em formação pré e, sobretudo, pós-graduada), ou se de seguimento autónomo de protocolos simples (do tipo: tem febre: paracetamol 1g se não houver evidência de contra-indicação) e preenchimento padronizado de programas informáticos (tipo "Manchester", com diagnóstico de sintomas, o mesmo é dizer, com registo da queixa do doente e seu agrupamento mais ou menos tosco em grupos nosológicos que se destinam a triagem de prioridades).
Muita confusão reina por aí, e quem anda no meio também não foge à regra.
Ou seja, o "erro de Casting" (do título), ou o equívoco, é que os enfermeiros que realmente são precisos hoje são os mesmos que se precisavam dantes (aqueles do bacharelato). Sem mais competências (ainda que se possam obviamente optimizar muitas delas), para além das que sempre tiveram, e que são muitas e necessárias (correndo o risco de ficar orfãs, nos tempos que correm, ou nas mãos de pessoas sem formação adequada).
Não é preciso "inventar" médicos alternativos, ou semi-médicos. Já há um curso para "clássicos", com formação pós-graduada e tudo, e que julgo ser bastante bom.
Mas enfim, é o que dá fazerem-se "reformas" inúteis, sem se medirem as consequências. Agora, vão ter que lidar com elas, os senhores governantes.
Quem já está a perder com isso tudo são os enfermeiros.
Mas quem vai ficar a perder no final é o doente, pelos motivos aflorados supra.

28 comentários:

Luz disse...

Eu nem sei que dizer... tenho um turbilhão de ideias em relação a este assunto. Vai por tópicos senão nem amanhã termino o comentário.

1º Iniciei essa licenciatura bem antes do Bolonha e não gostei. Optei por mudar.

2º Não foi do tema (saúde) que não gostei, foi da classe! (outro tema que também já deu discussão)

3º Nada pode correr bem quando há uma bastonária que diz "bora lá, vamos ser muitos!!"

4º Acho que a classe (com excepções obviamente como tudo na vida) está muito mais preocupada com a possível carreira dos outros (a tão falada carreira dos TAE) do que em serem bons enfermeiros

5º Foi uma situação idêntica a esta que me irritou logo no inicio do curso, mas noutra vertente. A palavra de ordem era "temos de ser bons para sermos nós a prescrever e não os médicos". Eu não concebo cursos em que em vez de estar lá para aprender o que está no programa estou lá a aprender a fazer usurpação de funções. Julgo que par isso não preciso de licenciatura.

6º Acredito ser uma das profissões mais discrepantes. Se os há, e muitos, com estas ideias, também os há que não entendem porque têm colegas se queixam tanto. Conheço vários!

LUZ

Magistral Estratega disse...

Então isso quer dizer que acha correcto e moralmente decente que um IAC, por exemplo, sem ter qualquer responsabilidade prática e altamente improdutivo, especialmente se estivermos a falar de especialidades médicas, ganhe mais do que um enfermeiro?

Importaria, nos dias de hoje, debater o valor do trabalho e das intervenções... Talvez se compreendesse melhor a evolução dos tempos e as justas aspirações de muitos enfermeiros...

Luz disse...

O que é IAC?
Já me vieram diversos significados, mas creio que não será nenhum deles....


É isto que critico. E então onde ficar a vocação e a tão badalada "arte de cuidar" que ocupa não sei quantas horas de aulas nas faculdades de enfermagem?
Ordenados devia de ser sem dúvida a nova cadeira da licenciatura. Teriam 20.

É isto que me indigna. Onde está a preocupação pelas condições de trabalho? (aqueles condições que não são o ordenado)
Onde está a preocupação com doente? Ou é preocupação que só se tenha quando se ganha bem?

Eu tento não generalizar, mas começa a ser difícil, e perdoem-me os que exercem por amor, eu sei que eles existem, mas querem convencer-me que não sabiam que era isto que ia acontecer quando se começou a entrar em enfermagem com 10 valores?
Quando o importante passou a ser a quantidade em detrimento da qualidade?

Magistral Estratega disse...

IAC: Interno do Ano Comum

Luz... Sem lirismos e utopias diga-me como é possível manter a motivação se não vir reconhecido o seu trabalho e reconhecimento também é dinheiro... Como é possível investir na formação contínua se não tiver dinheiro para pagar essa mesma formação?
Para quê trabalhar bem e cada vez melhor se o esforço não é recompensado?
Porque é que o argumento de "amor" não é usado noutros casos?
Por acaso alguém trabalha de borla?
Torno-me pior pessoa e pior enfermeiro se achar , aliás, ter a certeza que noutros casos, sem metade da responsabilidade e da carga de trabalho, esse esforço é substancialmente melhor remunerado?
A arte de cuidar é antes ciência do cuidar... deveria ter levado o curso até ao fim e ter exercido para poder falar com tal Certeza!
Não recebemos prémios de assiduidade porque já somos assíduos...
Não recebemos prémios para fazer o que já é obrigação nossa fazer, mesmo quando a nossa produtividade, segundo os dados do próprio ministério, é de qualquer coisa como 150%...
Como disse noutras ocasiões... por sermos tão cumpridores é que não nos dão nada... Neste nosso Portugal dão-se incentivos para fazer o trabalho já obrigatório e àqueles que já fazem mais do que o obrigatório... explora-se mais até chegar ao tutano...

Todos os argumentos que usa são incompatíveis com o exercício profissional actual de qualquer classe.
Vejamos:A prática de enfermagem envolve maioritariamente ciência, arte é coisa esporádica, à semelhança de qualquer outra profissão da saúde.
Ordenados não deve ser uma cadeira mas deveria ser algo com que não teriam de preocupar-se pois se tal como diz é necessária dedicação e amor(o que quer que isso seja em contexto de prática profissional), então exigir-se-ia uma discriminação positiva.
Lamento que seja apenas isso que passa para a Opinião pública mas esteja atenta e verá que a nossa preocupação não se resume ao ordenado mas sim a condições que possibilitem progresso na carreira. Nós queremos ser avaliados pelo desempenho, pela produtividade algo que ninguém parece estar interessado em fazer ... Não a espanta?
Queremos também enfermeiros bem formados e adequados à prática e qualidade necessária a cuidados de saúde (vide propostas de especialidade e internato que estão bloqueadas pelo insucesso nas negociações da Carreira).
Queremos que as pessoas tenham direito a ter o número suficiente de enfermeiros para que tenham esses mesmos cuidados assegurados e desta forma manter a sustentibilidade dos alicerces do nosso estado ainda Social.

Quanto ao amor... alguém que seja verdadeiramente profissional não exerce por amor, exercem no melhor interesse da pessoa de quem cuidam... é que o amor acaba facilmente, o profissionalismo não se assim o queiram.

Entrar com 10 na faculdade não é nenhum drama, drama é sair de lá mal formado. Mas acaso é problema único da enfermagem? Nós já propusemos uma solução: Internato após o fim da licenciatura.

Se queremos cuidados de saúde de qualidade e que assegurem a sustentabilidade do sistema temos de reperfilar competências e responsabilidades. Que país aproveita tão mal os seus recursos ,sem qualquer razão óbvia, como o nosso?

Cuidados primários que de primários só o nome, competências de enfermeiros, técnicos, etc etc, completamente desperdiçadas por não recusarmos a ver o óbvio: os médicos não são os únicos que sabem fazer as coisas!

Luz disse...

Obrigada por me elucidares acerca do IAC.
Vou responder a cada frase tua para ver se me consigo explicar adequadamente.

Reconhecimento também é dinheiro, mas está longe de ser só. Quantas profissões são reconhecidas como indispensáveis e têm remuneração inferior à vossa mas não menos responsabilidade?
O que me "fascina" na vossa classe é a discrepância. Não se espera que todos os membros de uma classe profissional pensem da mesma maneira, mas indigna-me que a classe dos enfermeiros seja tão 8 e 80. Acho triste ouvir de vários enfermeiros que não entendem o que vos move quando protestam tanto. Querer ganhar todos querem, indigna-me que muitos de vós tenham por trás sindicatos que venham com "historias" que tenho 100% de certeza não correspondem à verdade. Como se deixam representar por pessoas destas arriscando a vossa credibilidade.

"Para quê trabalhar bem e cada vez melhor se o esforço não é recompensado?"
Para quê Magistral??? Pelo óbvio! Não estarão apenas a ver o lado negativo? Eu não queria voltar ao dinheiro...Não será por ti mesmo que deves trabalhar bem? Para chegares ao fim do dia e que dizeres apesar de sentir que é uma injustiça não teres as condições que desejarias trabalhaste bem, o melhor que podias com os meus que tinhas ao dispor?
Eu não estou a ser melodramática, nem vivo num conto de fadas... Mas um bom profissional não o deve ser sempre? Ou depende do que se tem em troca?
O argumento do amor não é usado noutros casos porque certamente as faculdades não faz disso ponto de honra....digo eu!
Sim, muitas vezes trabalha-se de borla. Já vi enfermeiros a prestarem cuidados de borla por não terem como lhes pagar. Chama-se a isso solidariedade social, mas claro que não estou à espera que trabalhem de borla no vosso emprego principal.
Não, não és pior pessoa ou enfermeiro por pensares isso, és pior pessoa ou enfermeiro se pensares que não existem situações opostas ou semelhantes. E mais grave, vocês (classe) usam muito a comparação com outra classe de profissionais e aí estão a prejudicar-se perante a opinião pública porque começam a tentar dar uma imagens de insubstituíveis, e isso ninguém é!!! É uma opinião, vale o que vale.

"A arte de cuidar é antes ciência do cuidar... deveria ter levado o curso até ao fim e ter exercido para poder falar com tal Certeza!"
Prometo que dou o recado aos Enfermeiros que exercem e têm exactamente a mesma opinião que eu.

(continua)

Luz disse...

(continuação)

Prémios... Essa nunca entendi!
Então vou dar prémio ao meu trabalhador, ou à minha empregada doméstica por ela fazer o que compete? Aparecer no trabalho e fazer o que é suposto fazer?? Parece-me que aqui está correcto!

"Todos os argumentos que usa são incompatíveis com o exercício profissional actual de qualquer classe. " Não não são!!! Sabes que há profissionais cá em casa....já saímos da idade de brincar às bonecas e conseguimos exercer com as ideias que temos. Não generalizes. Se me disseres que é uma opinião, excelente, respeito, mas na prática provo-te que não é incompatível.

Pois é, Enfermagem é ciência, e agora chegaste onde queria, quantos enfermeiros não têm conhecimentos cientifico e estão a exercer? Então tirem essa capa de somos insubstituíveis. Não são!

"(...)amor(o que quer que isso seja em contexto de prática profissional)(...)" Não sabes o que é amor na profissão? Então não amas o que fazes!

Não, não me espanta. O que me espanta é a vossa forma de luta ser ineficaz. É deixarem outros definir estratégias, é se focarem tanto em institutos e afins e tão pouco em hospitais.... Isso é que me espanta! São tão certinhos, tão maravilhosos, tão indispensáveis... Não conseguem melhor?
Não te estou a criticar a ti directamente, estou a reportar-te o que passa cá para fora.

Se o amor acaba facilmente sugiro-te que não tenhas filhos.... Ok sou eu então uma ave rara por amar tudo o que faço.

Pois 10 não é drama, drama é quererem que "o povo" confie nesses tais mal formados! Não claro que não é caso único mas basicamente só vocês e os professores enchem o ecran da tv....

"(...) solução: Internato após o fim da licenciatura(...)"
E não deixar que qualquer um tire enfermagem....não?

Até que enfim, estamos de acordo, Portugal aproveita mal TODOS os seus recursos.

Pois não, os médicos não são os únicos a saber fazer coisas, mas os Enfermeiros existem não para "fazer coisas" mas para ter conhecimento cientifico. Consegues dar-me uma percentagem de quantos realmente o têm?
A próxima vez que ouvir um Enfermeiro dizer que a BCG é para a Hepatite o que devo fazer senão fugir?

A minha questão é: que resultado esperavam ter quando se quer número e não qualidade?
Gostava de resposta.

Perdoa-me qualquer ironia, é feitio! Este assunto deixa-me assim porque não vos entendo e não entendo como podem ter colegas que também não...

Anónimo disse...

O senhor está mal informado, primeiro o erro de casting n surgiu com bolonha, Enfermagem já é licenciatura antes disto. Sinceramente a sua visão está ultrapassada. Sou Enfermeiro trabalho num SAP, nenhum colega seu sabe SAV. Quando eles dizem por exemplo, como é que se prescrevo aquac??? Devo rir me como o senhor faz ou dou lhe alguns livros... Enfermagem é portugal está estrangulada por um ministerio médico, ou não acha que por exemplo as SIV não são optimas?

Quanto ao conhecimento cientifico, naõ vejo mais conhecimento da vossa parte, vejo outras coisas... Alexandre Pinto Enfemeiro Zackzapatista@hotmail.com

ronyjux disse...

ai pois, opiniões mal fundamentadas e nitidamente parciais, dá em burrada deste calibre.
Os Enfermeiros, são licenciados desde 1999 (bem antes de bolonha!); os Enfermeiros fazem o trabalho que fazem, têm a responsabilidade que têm, e vem você afirmar que foi erro de casting? Quando um licenciado ganha no mínimo 1200 euros? Quando um licenciado, englobado numa carreira especial, com grau de complexidade 3 (máximo), de elevada penoisidade responsabilidade ganha no mínimo 1510 euros?
...os enfermeiros ficam-se pelos 1020 euros...
coitados, até 1000 euros é muito, para tçao pouco trabalho e tão pouca sabedoria e valor..
pope-nos a estas reflexões irreflectidas...

Anónimo disse...

Um Enfermeiro não é uma espécie de médico, é um profissional de Enfermagem. Podem soar a quase o mesmo, mas medicina e enfermagem não são bem a mesma coisa.. ..no entanto, ambas estão revestidas de conhecimento, concreto, e validade. Só que, uns são reconhecidos e bem (demasiado por vezes..) pagos, os outros são vistos como pseudo qualquer coisa, ajudantes dos outros, e nem pensar em reconhecer o seu valor, profissional, social, e académico!!
enfim...
nos outros países, medicina e enfermagem são ambas bem vistas, tudo corre bem, não existem muitos atropelos.. Cá neste país, instituiu-se há muito, uma espécie de medicocracia, uma ditadura médica, que asfixia quaisquer aspirações de dignidade e justiça aos Enfermeiros.
Será difícil reconhecê-lo? Mesmo quando se joga na "equipa contrária"?...

Luz disse...

Que grandes confusão.

Ou já é da hora e não estou a ler bem ou o Anónimo das 21:58h (Alexandre Pinto) mistura um dos meus comentário com o post. Quanto aos vocês não será porque eu não sou sou médica.

Anónimo das 22:26, é verdade que noutros países é assim, mas nesses países o Enfermeiros tentam comparar-se a outras classes? É que por cá na comunicação social é quase sempre o que se ouve. Chego a questionar-me se o problema é a carreira deles ou a dos outros....

Placebo disse...

Ó Luz (a Luz, para quem não sabe, é um dos meus 3 ou 4 leitores...), o que raio é que fez para que, de repente, as minhas caixas de comentários se parecessem com uma qualquer Urgência em época de gripe?

Bem, por um lado eu não sou fundamentalista de ter que responder a todos os que por cá decidem comentar, por outro eu até o faria, só que das duas uma, ou há para aí muita confusão quanto a quem disse o quê, ou existe um claro defeito de interpretação deste meu texto.

Não é o primeiro post relativo à classe de enfermeiros que faço, por isso escuso-me a tecer considerações acerca de qual é a minha posição quanto à mesma, que por sua vez está, obviamente, associada a um enorme viés de interpretação, que é consequência daqueles homens e mulheres (dificilmente representativos da generalidade, mas concedo...) com os quais tenho o prazer de conviver diariamente no Hospital, salvo raras excepções (o que é, não me canso de o lembrar, nos dias que correm, simplesmente fabuloso...).

Magistral Estratega disse...

Caro Placebo: Por acaso é pena ser um blogger à minha semelhança, isto é, escreve muito de quando em vez levando a que não seja assídua a minha presença assim como de outros, o que não quer dizer que o não leia... apenas me abstive de o comentar noutras ocasiões... fica aqui o reparo.

Luz: os prémios é apenas o retrato duma sociedade que paga a alguns para fazerem o que já lhes compete... Talvez se eu não fosse assíduo ou pontual (assim como os meus colegas)nos pagassem por isso... Situação "podre" temos de admitir, mas não somos nós...

Depois as comparações são legítimas na medida em que permitem perceber o valor duma determinada actividade numa determinada sociedade... Se não existissem comparações como poderíamos compreender se alguém é bem ou mal remunerado? Portanto esse argumento não pega.

Segundo... o voluntariado não é algo que ninguém mereça, perceberia que numa sociedade humana tal situação é impossível, procuramos o êxito, procuramos ser melhores e essa procura necessita de recompensa... Ninguém vive do voluntariado, pelo menos numa sociedade moderna...

Porque não pede voluntariado aos nossos gestores, aos médicos, aos reitores, aos juizes? Não é afinal uma questão de vocação? De ajudar o próximo? Se considera a nossa profissão necessária e essencial pelo menos faça uma discriminação positiva...

Já agora diga-me uma só profissão em Portugal que requeira as mesmas responsabilidades, a mesma formação e que seja pior remunerada? Fico à espera...

Luz disse...

Placebo, há 3 assuntos que dão nisto e o meu blog é exemplo disso:

- professores

- enfermeiros e INEM (em relação ao segundo já tive o desprazer se ter o gabinete de comunicação e imagem a comentar... os antigos, agora são outros pelo que me apercebi na mudança de Presidente do dito instituto)

- e o terceiro é giro... O post do meu blog que tem mais comentários (45) é um em que me lembrei de dizer que não consigo entender para que raio as pessoas têm filhos para depois os verem 2 horas/dia e é se calha....

Magistral, respondi no post que está mais a cima.

Magistral Estratega disse...

Luz: Não respondeu não...

Luz disse...

"Já agora diga-me uma só profissão em Portugal que requeira as mesmas responsabilidades, a mesma formação e que seja pior remunerada? Fico à espera..."

É isto que falta, não é Magistral?

A mesma formação nenhuma obviamente, porque se a formação fosse a mesma não era outra profissão, seria a mesma.

Quanto à responsabilidade vs menos remuneração tens várias:

- Educador de infância que se não for responsável mata logo 20 crianças de uma vez

- Mecânico que se não trocar como deve de ser os travões do carro pode matar toda a tua família, ou pior porque se for num autocarro mata... 50 pessoas?
Já para não falar nos motoristas dos mesmos autocarros.

- Bombeiros... sim porque num incêndio não costumo chamar enfermeiros para apagar o fogo...
E aqui poderíamos voltar ao assunto voluntariado, não te parece?


É para continuar?

Vais dizer-me que não são da área da saúde... mas a responsabilidade não é inferior. Continuo na minha, vocês não são, tal como ninguém é, Deus na terra! A vossa profissão não é menos que as outras, mas também não é mais!!

Um bocadinho de humildade em muitos de vocês faria com que ficassem melhor na opinião pública.

Anónimo disse...

Não posso deixar de comentar as intervenções destes seres ressabiados e frustrados que dizem ser Enfermeiros. Sim dizem ser, porque não têm moral nem Ética para serem profissionais de saúde. No fundo, são um grupo de invejosos, sem escrúpulos, que espero que sejam uma minoria e que constituem o podre de uma classe tão digna como Enfermagem.
Como é que estas entidades atiram o argumento que um enfermeiro recém licenciado deve receber o mesmo que um IAC (antes conhecido como interno geral), dizendo que estes são improdutivos e não têm responsabilidade prática. Bem, também gostava de saber que produtividade e responsabilidade tem um Enfermeiro recém-licenciado? No Hospital onde trabalho os IAC's são muitas vezes deixados sozinhos no SU, vêm mais doentes que alguns especialistas. O especialista muitas vezes só assina a alta da urgência.
No internamento tratam de burocracias que alguns Chefes de Serviço desaprenderam, e há serviços onde estes passam a visita à Enfermaria sozinhos!
Nem vou falar do que trabalha um interno da especialidade, da responsabilidade que tem nem do ordenado que recebe. Provavelmente um ordenado inferior ao seu.
Para finalizar pergunto o que produz um Enfermeiro chefe para justificar o ordenado que recebe? Nem uma injecção IM aplica...
Mais uma vez digo que a minha mensagem destina-se a estas nódoas que se dizem Enfermeiros que em vez de trabalhar compara-se a outras profissões.
Mudem de disco, a sério, senão daqui a uns anos o que vos espera é um internamento num Hospital Psiquiátrico.
Cumprimentos.
Abel Soares.

Hugo Raimundo disse...

Lamento a sua falta de informação, mas deveria informar-se verdadeiramente o que é a ciência de enfermagem. Quando o fizer verá que nada tem a ver com medicina e compreenderá que a essência da enfermagem não é tirar o lugar da medicina ou cobiçar o que quer que seja. Quando se dignar a fazê-lo verá que a essência desta profissão é "o acto de cuidar". Não pretendemos nunca prescrever medicamentos, aliás, inclusivamente somos contra tal pretensão de muitos dos dirigentes da saúde que assim pretendem colmatar a falta de médicos. Cada macaquinho no seu galho. Portanto, ocupe o seu galho, os enfermeiros estarão no galho deles. Quanto a diagnosticar, sim... diagnósticos de enfermagem. Se não sabe o que é informe-se. É um acto taxonómico com uma génese muito distante da medicina. A OMS há muito que confere aos enfermeiros a capacidade de diagnóstico e juízo em função dos seus focos de atenção. Quer um exemplo: Conhecimento, não demonstrado, sobre importância do exercício físico... ou Expectorar ineficaz, ou Dor intensa, persistente região escapular esquerda. Onde é que isto interfere com a medicina meu jovem? Preocupe-se consigo. Não se preocupe em tentar desvalorizar o trabalho e a vontade de servir a sociedade com melhores cuidados de saúde. Cumprimentos, Hugo Raimundo

Luz disse...

Frase de Abel Soares:
"Mais uma vez digo que a minha mensagem destina-se a estas nódoas que se dizem Enfermeiros que em vez de trabalhar compara-se a outras profissões."


É exactamente isso que não entendo. Mesmo na comunicação social vejo-os constantemente preocupados com outras profissões (do ramos da saúde obviamente) em vez de se focarem no que realmente interessa.

Tal como cada um tem de viver a sua vida e não a dos outros, cada um tem de se preocupar com a sua profissão e não com a dos outros. E quando vemos na comunicação social que até operadores de central já são um problema é preocupante!... digo eu, está claro!
Isto leva-me a questionar, que não sou enfermeira, entenda-se, se ALGUNS DE VOCÊS (com caps porque a minha opinião é bem focada e não generalizada) não são suficientemente bons para não terem de se preocupar com as classes profissionais dos outros. Se o são não precisariam? Não será?

São esses "ALGUNS DE VOCÊS" que fazem com que a classe fique tão mal vista (e já me estou a repetir).






Hugo Raimundo,

Estou baralhada!!

"(...) a essência desta profissão é "o acto de cuidar"."

Se vires o meu 2º comentário eu falo disso, mas o Magistral Estratega, disse no comentário seguinte que não era bem assim...

Orientem-se que assim não há quem vos entenda. Nem com muito esforço! Se nem vocês se entendem uns aos outros....

Até posso compreender que cada um tenha a sua visão, mas quando me falam em ciência como aqui aconteceu... soa a facto!

Magistral Estratega disse...

Luz peço desculpa pelo tempo de demora, férias oblige...

Nenhum dos exemplos é verdadeiro e até é de alguma desonestidade colocá-las no mesmo saco.
Por esse prisma todas as profissões deveriam ser igualmente remuneradas.

Uma edcuadora de infância de facto ganha mais que um enfermeiro.
A profissão de mecânico é uma profissão pouco qualificada relativamente à de enfermeiro. Se não concorda estou a perder o meu tempo a falar consigo.

Falar de bombeiros é o mesmo do que falar de mecânicos...

Acho que a luz vive num mundo à parte para dizer uma coisa destas...

Invoca um amor à profissão e compara coisas incomparáveis...

Eu como enfermeiro conseguirira num só dia matar todas as pessoas que me passassem pelas mãos (directamente pelos meus actos) ... Devemos pagar em função de quantos mortos poderíamos provocar?

Porque não invoca esses argumentos face a todas as outras profissões que efectivamente ganham mais do que um enfermeiro e de facto têm a mesmo "grau de formação" (para não lhe dara zo a interpretações de mau gosot")?

Luz disse...

Magistral,

- Tens de me dizer onde é que um Educador de Infância ganha mais que um Enfermeiro, há umas amigas minhas que vão gostar de concorrer a esses sítios;

- Quanto aos bombeiros... Creio que qualquer um deles acharia desprezível o que escreveste. De facto é pouco qualificado, mas em relação ao teu comentário só posso dizer que se a tua casa arder chama um mecânico... pode ser que tenhas sorte....

- Pois se calhar vivo num Mundo à parte... mas já experimentaste viver num Mundo como o meu? Eras muito mais feliz!!!

- Eu não invoco os mesmos argumentos com outras profissões porque não os vejo, como disse em cima o teu colega Abel Soares, ressabiados e frustrados.


Foi triste o comentário em relação aos bombeiros. Passou agora aqui um carro de fogo. Não foste tu que chamaste pois não? Não me quero meter na tua vida, era só para o caso de ser para ti mandarem antes um mecânico... foi triste!

Luz

Magistral Estratega disse...

Luz... Saia do seu mundo do faz de conta e vá consultar as tabelas salariais... terá uma grande surpresa

Quanto aos bombeiros e demais não pretendi nem insultei ninguém: disse o óbvio... para exercer a profissão de enfermagem é necessária qualificação académica superior... isso não se passa com bombeiros ou mecânicos pois não?

http://saudeeportugal.blogspot.com

Luz disse...

Magistral,

Eu pago ordenados, conheço as tabelas salariais, não vou ter surpresas!!!! Mas nem é preciso ir tão longe, dás uma volta pela net e vês os valores.

Ah, ok, o teu problema é o tempo que passaste na faculdade e achas que por isso és mais necessário do que são outras profissões, como tal passam a vida a queixar-se em vez de trabalharem. É por isso que este país está como está!!

Ao início ainda pensei que o Abel Soares estava a exagerar. Afinal tem razão!

Magistral Estratega disse...

Deixe-se de demagogia: consulte a tabela remuneratória da carreira docente para não opinar sobre o que não sabe.

Eu nem peço mais que os outros mas pelo menos o mesmo...

Diga-me como se distinguem então as remunerações das diferentes profissões?

Ah... tenho mais anos de trabalho do que de faculdade... baseio a minha opinião em factos algo que ainda não vi em si.

Se sou/somos arrogantes (que não considero que sejamos) é porque somos injustiçados e nada temos a temer quando comparados em qualquer parâmetro: assiduidade, pontualidade, produtividade, grau de formação, etc etc. Não conheço classe profissional que se possa orgulhar tanto do mesmo.

Não acredite no que oiça ou no parece que é. Analise os factos!

http://saudeeportugal.blogspot.com

Luz disse...

Já viste que isto não nos vai levar a lado nenhum não já?

Arrogantes? Também não acho que sejam, o que acho é que vocês fizeram uma escolha, uma escolha julgo e espero consciente. Se me disserem que quando iniciam a Licenciatura não sabem bem ao que vão sou a primeira a compreender mas depois de lá estarem não há que enganar. Ainda assim decidiram continuar! Certo? Então parem de se queixarem, não há classe profissional que se queixe tanto como vocês e pior têm colegas a queixarem-se do comportamento da própria classe.
Em média sabemos quanto mais ou menos vamos receber quando escolhemos determinada profissão. Vocês não são excepção.
A vossa luta não é arregaçar as mangas e tocar a vida para a frente, a vossa luta baseia-se em lamentações e em eternas comparações com as restantes classes profissionais.
Deixem de se preocupar com o que o estado vos paga e ponham mãos à obra. Há empregadas domésticas mais pro-activas que vocês.
É difícil, pois é bem sei, e dá muito mais trabalho do que estar à espera que o estado pague ao fim do mês. Também sei que o mercado está um bocado saturado mas isso já é culpa da vossa ordem que só quer quantidade. Mas é possível e há exemplos vivos disso.

Como vês não vos acho arrogantes. Acho que podem ter tanto mas vão sempre pelo caminho errado, pelo mais fácil, o da lamentação!

Dizes que vivo num mundo de fantasia. Sabes o que te digo, Deus queira que quando o meu filho crescer viva num Mundo como o meu. É porque lutou, porque venceu e não andou pelos cantos à espera que alguém fizesse alguma coisa por ele. Ficarei muito feliz!!!

Anónimo disse...

"Acredito ser uma das profissões mais discrepantes."

Luiz, essa foi a pior frase que ouvi em toda minha vida, e o pior é que não estou admirada em tais palavras terem vindo de um médico ¬¬

Discrepantes são pessoas como você que acabam com a profissão ao qual lutou para obter o título. Acima de tudo reina o amor pelo cuidar do próximo, essa deveria ser uma frase. Não importa a profissão, médico ou enfermeiro, nosso objetivo maior é proporcionar o bem. Não é em vão que os enfermeiros recebem o carinhoso apelido de 'Anjos". Não queremos ser DEUS igual a vocês, pelo contrário, somos enviados por ele para cuidar, a recompensa está no olhar do paciente.

A diferença reside que vocês desde os tempos de faculdade são ensinados a ter rivalidade com enfermeiros. E saiba que vocês nunca chegarão até nós porque ENFERMEIROS SÃO APAIXONADOS PELO CUIDAR, vocês não!!!!!

O BLOG MAIS NOJENTO QUE JÁ VISITEI
QUE PERDA DE TEMPO!!!!

Anónimo disse...

Agora compreendo a seguinte frase Luz:

"Médicos estudam durante anos para acreditarem que são DEUS e ao receberem o diploma tem certeza"!!!

Não são em vão os resultados da prova do CRM: formandos não sabem receitar, fazer exame físico nem tomarem atitudes em situações críticas"

Que bando de burros!!!

Joana disse...

Médicos são filhos da puta de bata branca! Julgam-se Deuses mas no fundo são enciclopédias baratas sem quaalquer pode relacional!

bogas canis disse...

Q confusão aqui vai.....ha, infelizmente, bons e maus profissionais em toda a parte.
eu tirei os dois cursos, e gostei de ser enfermeiro. O q antes se diz dos IACS é tipico de quem não faz ideia do q diz ou da grande parte da realidade.
A dificuldade em enfermagem é saber lidar com tantos doentes e escalar diagnosticos e problemas de enfermagem de maneira eficiente. Isso demora anos a treinar e é de facto difícil e exigente.
Querer prescrever é ridiculo. Diluir e preparar farmacos não e saber farmacologia.
A qualidade de um médico n se mede pelo numero de doentes q consegue observar. O problema é q é assim q o "sistema" impõe.