quarta-feira, 15 de junho de 2011

Factos, Mitos e Paneleirices

...sobre cigarros electrónicos:

-Efectivamente, não sabemos, como o sabemos para o tabaco, quais são os efeitos a longo prazo da inalação daqueles "vapores" nicotinados;
-Sabemos, porém, que a inalação de fumo de tabaco terá efeitos nocivos comprovados para o utilizador, de diversa índole;
-Sabemos que se gerou uma simbiose entre a mistificação dos males da inalação do tabaco em fumadores passivos por parte de alguma franja da população de narinas mais sensíveis, aproveitada inicialmente por transportadoras aéreas para justificar poupar na renovação do ar nos seus aviões (que lhes saía cara nos vôos fumadores), e mais tarde por governos diversos, quer para ganhar votos com a "perseguição da moda", quer para ganhar dinheiro, com a justificação de "taxar para reduzir o consumo", quando se sabe bem que o real objectivo sempre foi "taxar para extorquir mais dinheiro a quem, legitimamente, decide autonomamente assumir um risco para a sua saúde, sem qualquer prejuízo para terceiros";
-Agora há uma alternativa séria: cigarros electrónicos;
-Tal como a esmagadora maioria dos produtos que inalamos no dia-a-dia, também não se sabem exactamente os efeitos, para os "inalantes activos", da inalação deste vapor nicotinado (que NÃO É tabaco!);
-Muito menos se sabe ainda para os "inalantes passivos";
-Note-se que também não se sabe, só para dar alguns exemplos, qual é o efeito na saúde da inalação do produto do escape dos novo carros híbridos, ou dos velhos "diesel", ou dos diversos produtos que vaporizamos nos campos à volta das nossas cidades, ou da combustão dos motores dos aviões que circulam nos nossos céus, etc...;
-Tudo leva a crer (bom senso, entre muitas outras coisas...), porém, que não será tão mau para os "inalantes activos" como era para os "fumadores activos", quer pelo tipo de produto (é vapor e não fumo, e tem um número limitado de substâncias na sua composição, à partida inócuos, ao contrário do fumo do tabaco, da combustão do qual resultam milhares de produtos, muitos deles nocivos e/ou cancerígenos), quer pela clara noção subjectiva que se tem quando se adere a este tipo de produtos, com a quase instantânea melhoria subjectiva em termos de função respiratória e hálito.

O engraçado é que os Ayatolas anti-tabaco também não gostam dos cigarros electrónicos, e cada vez menos, à medida que os dispositivos se vão tornando mais saborosos e menos complicados para os utilizadores.

Já não lhes afectamos as narinas, e estão-se a borrifar para a nossa saúde. Na verdade, só lhes aborrece que agora consigamos emitir uma espécie de vapor parecida com fumo pela nossa via aérea de forma impune e inocente, sem poderem obrigar-nos a parar com isso. Daí estarem a trabalhar activamente para condicionarem irracionalmente o uso desses dispositivos, sem saberem ao certo, ou com um mínimo de seriedade, porquê....
Nesta sociedade, já acredito em tudo, ela é pródiga nas espantosas liberdades concedidas a este tipo de fanáticos.
Mais poderoso ainda é o Estado ladrão e de má fé que temos, que começa a ficar preocupado com a redução do retorno dos impostos sobre o tabaco, quando trabalharam activamente para aumentarem esta preciosa "receita" (bem sei que com a falácia do argumentário de "Saúde Pública", na qual só acredita quem quer, mas pronto, quando é para caír o verniz, cai mesmo...). Por isso já se está a alinhar no campo dos que quererm "taxar" (leia-se: roubar desavergonhadamente) este tipo de produtos, com base em "opiniões" de doutas bestas que dizem que, "se calhar", isto também faz algum mal a aguma coisa....

Enfim, não tenho pachorra para isto, e este texto já me começa a aborrecer (entre outras coisas porque me está já a fazer pensar demasiado em "pessoas" a viver em "sociedade", o que tem o condão de tirar a paciência a qualquer racional santo...). Vou acabar com esta conversa, e voltar ao meu quintal, onde não há ninguém, e de onde não se vê quase ninguém, talvez brincar com os meus irracionais cães.

Para já, aceitem esta recomendação, para mim o "topo de gama" destes dispositivos actualmente no mercado (e já são muitos e diversificados), ainda barato (gasta-se menos de 20% do que somos obrigados, hoje em dia, a gastar com tabaco!):
-JANTY EGO TANK!

Pode comprar pela net a partir de um revendedor em Espanha (para mim um dos melhores), que é sério e célere nas entregas (mas entre muitos outros sítios...): http://www.store-steam.com/index.php?main_page=index&language=pt&zenid=i1rjthg2hoisndieg203ngt9l5 (garanto não ter comissões deste sítio, nem tão pouco me pagam congressos ou oferecem canetas, isto é mero "serviço público"...).

Boas vaporizações!
Enquanto podemos....

segunda-feira, 13 de junho de 2011

No outro Dia... (III)


Ficou claro que suicídio "por omissão" é algo aceite por todos. Também era o que faltava, pegarmos na mulher, cortarmos-lhe a perna e cateterizarmos-lhe o pescoço conectando-a a uma máquina de diálise contra a vontade dela.... Mas se calhar já estivemos mais longe (ou melhor, ainda não estaremos suficientemente longe?) desta realidade.


Ficou claro que a eutanásia, ainda que num caso de prognóstico fechado e irreversível, com a nuance desse prognóstico ser consequência de uma decisão consciente da doente, logo uma certa forma de "suicídio assistido", não é bem vista neste caso, não havendo direito a paliação da dor e do sofrimento como em casos similares em que a morte não é "opcional", de acordo com o entendimento de alguns.


No fundo, é a diferença entre a morte "natural" e a morte "suicidária".
É morte igual, só que uma é porque calha, enquanto que outra é por opção consciente (mais ou menos "legítima", mas nem quero ir por aí...).
A primeira, pela sua índole involuntária, é bem vista, e já nos vai comovendo a todos na paliação eficaz.
A segunda ainda desperta em alguns de nós uma espécie de sentimento de "sofrimento merecido", confundido-se "morte voluntária" (ainda que, neste caso, por omissão de tratamento) com "sofrimento voluntário".


Curiosidades interpretativas da natureza humana, para reflexão....

No Outro Dia... (II)





Uma senhora quis medicação para alívio do seu sofrimento. Analgesia profunda, de preferência sedação também.


O médico recusou, porque era eutanásia, ou até uma certa forma de suicídio assistido, uma vez que a doente tinha antes recusado tratamento "curativo" da sua situação clínica.

No Outro Dia... (I)


Uma senhora, diabética, amputada do membro inferior direito ao nível da coxa, e já amputada de alguns dedos do pé esquerdo, descompensou.


Havia necrose distal do membro inferior esquerdo, a requerer amputação acima do nível do joelho, e estava a precisar de diálise, podendo ficar dependente para o resto da vida da substituição renal, ela que vinha sendo uma insuficiente renal crónica compensada, até à data.


A senhora recusou qualquer um dos tratamentos, quer a amputação, quer a diálise.


Está no seu direito.

domingo, 12 de junho de 2011

Como Provar que o SNS Não Presta?

-Manter direcções de Hospitais e Serviços ao sabor dos desvarios do partido no poder;
-Manter financiamentos baseados em determinados actos avulsos e mal medidos, por forma a que os Hospitais-Empresa mantenham por objectivo maximizar os mesmos, sem se preocuparem em apresentar boas soluções integradas para a Saúde dos habitantes que servem, com as particularidades de cada local;
-Manter valorizações profissionais baseadas em pseudo-"carreiras";
-Manter esta cultura de tomada (ou não-tomada) de decisões, sem responsabilização subsequente dos (desejavelmente) responsáveis pelas suas consequências;
-Manter esta política do medicamento, em que o Infarmed se desreponsabiliza não negociando com os laboratórios, deixando na mão dos profissionais se escolhem esta ou aquela marca de um mesmo princípio activo;
-Manter esta política do medicamento, em que o Infarmed se desreponsabiliza mantendo a comparticipação de vários placebos;
-Manter essa ausência de política de aquisição de materiais, em que cada qual compra o que bem entende de forma totalmente desintegrada da realidade dos outros hospitais/centros de saúde;
-Manter essa aposta na hiper-especialização sem sentido de áreas não-técnicas em saúde, criando quintas e lobbys escusados, encalhando procedimentos, e complicando a descentralização onde não seria necessário "complicar";
-Manter essa teimosia na não-centralização de áreas técnicas (ou algumas do conhecimento) muito específicas, que não precisavam de ter uma chafarica de 2ª categoria em cada canto do país;
-Manter essa política de saúde centrada na reacção acrítica aos meios de comunicação social, que nos põe a falar de gripes desta ou daquela letra do abecedário e de pepinos, gastando sem sentido preciosos recursos (entre os quais a paciência de muitos), quando existem muitas problemáticas sérias à espera de serem abordadas de forma integrada (como por exemplo o problema ANUAL da gripe sazonal!), e que levariam a que não fosse preciso essa cosmética pacóvia em que nos empenhamos de cada vez que surge uma notícia mais ou menos alarmante neste ou naquele pasquim;
-Manter a total ausência de discussão entre entidades reguladoras e profissionais de saúde (pelo menos) sobre a morte e o que a rodeia (e/ou deveria passar a rodear), sobre decisões de final de vida, sobre viabilidade, individualidade, eutanásia, distanásia, suicídio assistido, etc....
Entre tantas outras coisas. Assim de cabeça lembrei-me destas. A rever....

terça-feira, 7 de junho de 2011

Lógica, Prioridades e Reflexões


A clarificação das questões relacionadas com o fim de vida (suicídio ou morte assistida, eutanásia, testamento vital, cuidados paliativos, etc...) permitirá controlar o non-sense em que se tornou alguma gestão de recursos em Saúde. Mas não só.


Não faz sentido que se coloquem válvulas cardíacas percutaneamente que custam 30.000 euros, cardio-desfibrilhadores implantados, pacemakers topo de gama, quando ANTES (de precisarem dessas intervenções) esses mesmos doentes não tinham recursos nem acompanhamento adequado para tratarem a sua hipertensão arterial, a sua diabetes, a sua dislipidemia, a sua obesidade, ....


Não faz sentido que se administrem paliativamente (ou simplesmente sem critério...) quimioterapias caríssimas em doentes em estádio terminal, quando esses mesmos doentes não tiveram dinheiro ou não havia recursos para fazerem rastreios colonoscópicos, mamografias, citologias do colo, ....


Não faz sentido que se faça diálise a doentes acamados, escariados, dementes, que não têm família e vivem abandonados em lares sem qualidade de vida, ou sem dinheiro para sequer se alimentarem adequadamente.


E por aí fora.


Uma das minhas actividades consiste em seguir doentes com certas patologias, alguns dos quais requerem um tratamento (de fornecimento exclusivamente Hospitalar) que custa cerca de 1500 euros mensais ao Estado (sendo gratuito para o doente). O Estado Social, e bem, permite que qualquer cidadão com critérios para esse tipo de tratamento o obtenha, independentemente dos seus recursos financeiros.
Esse tratamento é a única solução às dores que sentem. Ou, nos piores casos, a melhor. Muito gratificante para quem trata estas doenças, como podem calcular.
O drama, é que estou convencido que alguns dos meus doentes, pelas más condições de vida em geral em que vivem, se soubessem quanto custa o tratamento e lhes colocassem a alternativa de ficarem com o (muito) dinheiro que custa ao invés do remédio, optariam pela primeira opção, e aguentariam as dores.
"É porque não lhes dói que chegue", dirão alguns. Mas dói.


O problema é que concebendo-se a saúde, não como uma colecção mais ou menos grande de patologias, mas sim (como aliás diz, e bem, a definição da OMS) como sendo um estado genérico de "bem estar físico e psicológico", esses doentes teriam razão na troca, tal o sofrimento que a falta de meios materiais lhes provocam.


O que será melhor, as dores articulares, ou o frio, a fome, o desamparo?
A vida não é fácil....

Burgessos ou Inteligentes?

Um burgesso, perante a questão da prescrição em Enfermagem, diz: -"nem pensar"!
Um Inteligente diria: -"o que entende por prescrição em Enfermagem, concretamente"?
E chamar-se-ia a isso uma base concreta para um futuro entendimento e esclarecimento sério da questão.

segunda-feira, 6 de junho de 2011

Défices e Dívidas

Antes do mais, os maluquinhos defensores (mais ou menos conscientes) que alguém no mundo tem a obrigação moral de sustentar os nosso vícios e desvarios, façam o favor de mudar desde já de blogue, o que se segue não vos vai fazer qualquer sentido.
Estamos, os restantes, perfeitamente de acordo que não podemos gastar mais do que aquilo que produzimos. Que se temos 5, não podemos gastar 10 (nem 8, nem 5,5...). Que se pedimos 10 com 10% de juros anuais a 10 anos, teremos nessa altura que ter pago 20.
E por aí fora. Coisas de matemática, de "deve e haver"....
O problema, o vosso e o meu, é que não sabemos se quem nos (des)governa sabe fazer contas. Ou se se regem por estes princípios. E quem nos governa, nesta nossa sociedade em que o Estado chama a si mais de metade dos rendimentos dos seus cidadãos para os "investir" no que bem entende, trata da riqueza do país, e dos seus cidadãos, sendo isso que está em jogo. E o seu futuro, e o dos seus filhos.
Nas mãos portanto de alguns eleitos, sabe-se lá bem com que critérios, com que enganos, com que intenções, com que responsabilizações pelos seus actos.
Mesmo acreditando que agora se vão passar a fazer as contas, preocupa-nos se o que produzimos, e podemos gastar, "chega". Já sabemos que não chega concerteza para gastarmos o que gastávamos dantes (o que tínhamos e não tínhamos). Mas será que chega para vivermos com a mesma qualidade? Se racionalizarmos, se gastarmos melhor, com critério, se nos esforçarmos, será que tem que se notar que gastamos menos (aquilo que temos), e já não o que pedíamos e nunca teríamos?
Eu acredito que se pode começar a gastar bem o pouco que temos. Escolhendo os melhores para gerir, que por sua vez se rodearão com os melhores, e assim sucessivamente.
E acredito que isso se pode fazer de duas maneiras: privatizando e contratualizando com os privados, por um lado. Despartidarizando por outro, nomeadamente toda a gestão do que não é "privatizável", e que terá que se manter nas mãos deste Estado que nos habituou a ser mau gestor, gastador, mentiroso e desavergonhado. Qual Sheriff de Nottingham.
Mas também responsabilizando, penalizando e perseguindo gestões danosas. Valorizando o mérito. Desburocratizando.
Cabe a cada um de nós zelar para que se vão dando os passos, por tímidos que sejam, nessa direcção moralizadora, nos tempos vindouros, contra os aparelhistas e chupistas de sempre (já não xuxalistas, mas outros tal e quais, ligados ao novo (des)governo, e que estão a esta hora na calha, a alinharem-se para os apetecidos tachos que vão vagar).
Caso contrário, seremos definitivamente um povo sem alma, de um país sem futuro para oferecer aos nosso filhos.

quinta-feira, 2 de junho de 2011

Será Lícito Ainda Acreditar?...

Libertar a sociedade do Estado. Libertar o Estado dos aparelhos partidários.” -Pedro Passos Coelho, 1 de Junho
Se calhar vou voltar a ser burro, só mais desta vez. Um Homem tem que acreditar em alguma coisa....

segunda-feira, 30 de maio de 2011

Essencial vs Acessório

Pode vir a ter diabetes, mais se for gordo.
Pode vir a ter hpertensão arterial, mais se não tiver cuidado com a ingesta de sal.
Pode vir a ter cancro do pulmão, doença pulmonar obstrutiva crónica, doença aterosclerótica, mais se fumar.
Pode vir a ter cirrose, mais se beber álcool....
"Podem"-nos acontecer muitas, muitas coisas, algumas das quais influenciadas por variáveis que podemos controlar (influenciadas, e não determinadas; que podemos, e não necessariamente que quereremos ou iremos...).
Há uma coisa, porém, que nos vai acontecer a todos, de certeza absoluta.
Curiosamente, não parecemos minimamente dispostos em discutir as condições com que vamos viver essa inevitabilidade. Às vezes nem me parece que estejamos sequer curiosos....
E eu gostava que abríssemos a pestana antes que o meu karma me dite a chegada do tal dia, por forma a não ter que emigrar ou tornar-me criativo, mais ou menos fora-da-lei, para o conseguir passar com um mínimo de condiçoes e dignidade.
Passamos, nós médicos, o tempo a falar de saúde, em como prolongá-la, curar a doença e adiar a morte. Não estamos muito mal nesse capítulo, o caminho vai-se fazendo com todos a puxarem para o mesmo lado.
Não passamos é tempo que chegue a falar da morte, que eu fui descobrindo que anda muito maltratada por este país fora, isso quando é tratada.
Não dá prisão não tratar a morte, sabiam? Deixar uma doença potencialmente reversível seguir o seu curso sem tratamento pode ser, e geralmente é, complicado; deixar uma pessoa a agoniar horas, dias, ou até mais tempo sem -sequer- paliação adequada, é eticamente desculpado -não desculpável!-, desde que tenhamos a certeza que a cura não é possível ou "razoável".
Na dúvida damos tudo.
Na certeza acanhamo-nos, desviamos o olhar, desprezamos.
Isto faz algum sentido?
Dramaticamente, ninguém se importa. Ninguém excepto todos aqueles que passam por ela, o que a prazo somos todos, e que, por ironia, de seguida deixam de ter a voz que faltaria para a correcção desta gravíssima insuficiência.
Em nome dos vossos cuidados de saúde, daqueles cuidados que vão seguramente precisar um dia, interessem-se por suicídio assistido, por eutanásia, por testamento vital....
Sejam empáticos com os que morrem hoje, porque só assim terão alguma simpatia nesse dia de amanhã, e atenção que ele vai concerteza chegar demasiado cedo.
Interessem-se por morte.
Com dignidade.
Por vós.