sábado, 9 de fevereiro de 2008

Coisas Boas Por Cá

Metamizole, vulgo Nolotil.
Proscrito nos EUA e em muitos países europeus, por raras agranulocitoses, é um analgésico fabuloso que enriquece a nossa farmacopeia e alivia muita dor por este país fora, todos os dias. A bula refere um máximo de 4 comprimidos de 575mg por dia (2,3g). Por via e.v., em ambiente hospitalar, é frequente a administração de uma ampola de 8/8horas (6g/dia, o equivalente a 10 cp).
Nimesulide.
Um anti-inflamatório não-esteróide de primeiríssima água, também excluído em muitos países, por hepatotoxicidade, relativamente menos gastro-tóxico que muitos da sua classe com igual potência. Neste é escusada a toma de mais de 200mg/dia (2 tomas), não se incrementa o efeito e exponenciam-se os efeitos secundários.
Um casalinho que dá um jeitaço em múltiplas indicações.
Quando tomados nas doses adequadas.

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2008

ALERT(R)

(...)
O Tribunal de Contas está a investigar os contratos do Ministério da Saúde com uma empresa, a Alert Life Sciences Computing, para a informatização dos hospitais e centros de saúde. O negócio foi feito através de ajuste directo e não por concurso público, que permitiria escolher condições mais vantajosas para o Estado. O negócio suscita dúvidas não só ao Tribunal de Contas mas também a deputados da Assembleia da República, administradores hospitalares e profissionais de Saúde. Perguntam por que o Ministério pagou milhões de euros por sistemas informáticos a uma empresa que cobrou o dobro do preço apresentado por outras empresas do ramo. A empresa contratada pelo Ministério sucedeu em 2007 à Médicos na Internet e Novas Tecnologias Aplicadas à Saúde. O CM sabe que a ex-secretária de Estado Adjunta e da Saúde, Carmen Pignatelli, autorizou o pagamento de 677 mil euros àquela empresa pela elaboração de dois relatórios e de 791 mil de euros pela formação dos profissionais que vão trabalhar com uma aplicação informática, Alert P1. Esse sistema custou sete milhões de euros (notícia avançada pelo CM a 25/01/07) e permite aos centros de saúde marcar as primeiras consultas da especialidade nos hospitais. A notícia do CM produziu na ocasião grande inquietação no gabinete do primeiro-ministro, José Sócrates, que envidou esforços para apurar as circunstâncias do processo. O CM tentou um esclarecimento de Carmen Pignatelli, mas esta remeteu explicações para o seu antigo chefe de gabinete, Rui Guerra, que justificou a opção pela empresa Alert: “Não havia um sistema alternativo ou outro produto na central.” Porém, documentos a que o CM teve acesso revelam que o Estado podia ter optado por outra empresa. A Hewllett Packard Portugal constava da Agência Nacional de Compras Públicas em Fevereiro de 2007, com preços muito inferiores. Questionado sobre eventuais pressões junto dos hospitais para aquisição do software da Alert, Rui Guerra responde: “Não assisti a nada formalmente. Os hospitais tinham a autonomia para a escolha dos sistemas informáticos que muito bem entendessem, mas deviam respeitar uma circular do IGIF, que definia os critérios dos sistemas de informação que depois seriam introduzidos numa base de dados de âmbito nacional.” DOCUMENTOS E MAIS EXPLICAÇÕES O deputado parlamentar e médico João Semedo, do Bloco de Esquerda, enviou um requerimento ao Governo a pedir explicações sobre esta situação. Esta não foi a primeira vez, pois há um ano já o tinha feito. O Tribunal de Contas pediu mais documentos antes de emitir o visto e quis saber por que não se optou pela abertura de um concurso para apurar a existência de outras empresas. Administradores hospitalares interrogam-se como há hospitais que pagam àquela empresa o dobro do preço por um sistema informático quando, afinal, existem no mercado produtos a menos de metade do preço, da mesma qualidade e eficácia. O negócio com a Alert é feito em regime de exclusividade e por um período mínimo de cinco anos.
(...)
Cheira mal.
A minha experiência pessoal com o sistema "ALERT" pode-se resumir a: lento e pouco amigável.
Mas quem sou eu, para mais tendo sido uma opção tão cara....

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2008

Outro Mundo

Já repararam como deixaram de nascer crianças em ambulâncias, deixaram de estar mal acompanhadas as grávidas, deixaram de morrer velhinhos sem quem lhes acuda, deixaram de ser indispensáveis os SAP's, deixaram de estar sobrelotadas as Urgências, deixaram de ser incompetentes os bombeiros, deixou de ser insuficiente o CODU, enfim, como deixou de ser uma porcaria o SNS?
E tudo isto, com apenas uma remodelaçãozita....

sábado, 2 de fevereiro de 2008

Confúcio de Fim-de-Semana

A vida, como a diabetes, pode ser mellitus ou insipidus.

quinta-feira, 31 de janeiro de 2008

NonSense

(...)
O primeiro-ministro, José Sócrates, garantiu hoje que mantém as suas reformas na área da saúde, nomeadamente na rede hospitalar, e que apesar de não encerrar mais urgências sem alternativas (*1), também não vão reabrir as urgências já encerradas.
«Ninguém vai voltar atrás em nada. O que nós queremos é ter um novo método mas cumprir os mesmos objectivos» (*2), afirmou José Sócrates após a tomada de posse, no Palácio de Belém, em Lisboa, dos novos ministros da Saúde (Ana Jorge) e Cultura (António Pinto Ribeiro).
Quanto à saída de Correia de Campos da Saúde, a «pedido» do próprio ex-ministro, visa apenas «reforçar a confiança dos cidadãos no SNS» (*3), garantiu o primeiro-ministro.
(...)
*1: Encerraram Urgências sem alternativas? Isto é assumido assim, despudoradamente? Isso não é crime? E as populações onde as Urgências encerraram, e que não têm alternativas, segundo as próprias palavras do PM, vão manter-se assim, sem alternativas? Com as Urgências encerradas e sem alternativas?
*2: O objectivo, de encerrar Urgências sem alternativas vai manter-se com cosmética, ou o objectivo é...?
*3: Se dúvidas houvesse quanto ao objectivo cosmético, ou eleitoralista, ou a ausência que qualquer intenção de mudar os objectivos reais com essa exoneração, o próprio PM, com o seu mau domínio da semântica, elucida-nos neste trecho. A sorte dele é que ninguém liga a estas coisas. Aliás, não é sorte, ele sabe-o bem. Daí esta palhaçada toda, até à re-eleição final, dele ou de outro igual a ele (vulgo LFM).

terça-feira, 29 de janeiro de 2008

Dúvida Para-Existencial

O Ministro demitiu-se, ou foi demitido.
Agora é que não percebo mesmo nada.
Ele não estava a cumprir primorosamente aquilo com o que se comprometeu, e que levou a que o indigitassem para o cargo? Não foi suficientemente longe?
Tive alucinações, ou ele fez apenas e só aquilo que desde o início disse que faria?
Porquê o despedimento? Por competência excessiva? Excesso de zelo? Cumprimento desavergonhado do prometido?
Ou alguém acredita que os QI's dos nossos governantes andam pelas ruas da amargura, e que ninguém se apercebeu daquilo que foi claramente assumido, desde sempre, por Correia de Campos?
Bom, deixemo-nos de sarcasmos, todos o que têm ainda uma réstia de inteligência sabem o que significa esta "exoneração".
Um balão de oxigénio.
Sim senhor, ele fez o que lhe competia. Vem outra para o lugar, dar continuidade, com maior ou menor cosmética.
Ele foi, pois, apenas vítima do desgaste mediático, que qualquer Ministro da Saúde que ponha em prática a política vigente para o sector dos últimos 4 governos, irremediavelmente, sofre. Foi vítima da não assunção envergonhada desta política por aqueles que a põem sucessivamente em prática. Porque ela é difícil de assumir, prejudica muito a contagem final dos votos.
É mais fácil fazer de conta que se quer manter um SNS de qualidade e prometer ao mesmo tempo colossal abate do défice, do que se calhar confessar que uma coisa é exclusiva da outra. Ou talvez até nem seja, mas já nem vou por aí....
Faça-se pois justiça a Correia de Campos: ele nunca foi hipócrita nos seus intentos.
Essa hipocrisia é mesmo apanágio dos que se regem pelas sondagens para serem sucessivamente eleitos, exoneram ao sabor das mesmas e escondem que, no fundo, é mesmo tudo para continuar a evoluir na mesma.
E neste cenário, Correia de Campos até acaba por parecer heróico.

A Traição

Passo a explicar: trata-se da traição, por parte deste governo, ao espírito da Medicina Hospitalar, no que se refere ao atendimento a doentes em Serviços de Urgência. É uma perspectiva "interna", se assim lhe quiserem chamar.
Toda a estrutura do SNS em Portugal assentava, bem ou mal, no atendimento de casos que não punham em risco a vida dos doentes (casos "não urgentes", a patologia banal, mas de surgimento súbito e incómoda, que carece de observação e, por vezes, de tratamento) em Serviços de Atendimento Permanente (SAP's) ou equivalentes, com posterior encaminhamento para estruturas hospitalares de Urgência dos casos potencialmente mais graves, já devidamente triados nessas estruturas.
Assim, esse atendimento em SAP era feito geralmente pelo Médico de Família, conhecedor muitas vezes até do doente que lhe aparecia pela frente, seja como for, conhecedor da patologia o quanto baste para resolver o problema da maioria dos doentes (as "gripes", as "gastrenterites", as "amigdalites", as "crises de ansiedade", as "crises vertiginosas", e por aí fora...), variando então a sua eficácia em função da sua capacidade, controlado pelos serviços a jusante.
A estrutura hospitalar, por sua vez, estava estruturada para receber doentes mais complicados, para o diagnóstico diferencial da doença que carece de cuidados urgentes ou emergentes, e era maioritariamente composta por especialistas de Medicina Interna, Cirurgia Geral, Ortopedia, Ginecologia-Obstetrícia e Pediatria.
Claro que muitos doentes fugiam a este "roteiro", e adulteravam o sistema através dos mais diversos estratagemas, no sentido de se dirigirem preferencialmente ao Hospital, onde existem meios humanos e complementares de diagnóstico mais abundantes.
Mas muitos eram mesmo atendidos nos SAP's, e viam lá resolvidos os seus problemas.
Nos dias que correm, desapareceram os SAP's, e a estrutura hospitalar suporta tudo. Aqueles que dantes se dedicavam a atender casos urgentes passaram a fazer consultas "banais". Muitas. A acrescer aos casos urgentes, que como é óbvio não desapareceram. Criaram-se esquemas de triagem, mas que são naturalmente falíveis, e compromete-se, aqui e ali, a saúde e por vezes a vida de alguém.
Ao brutal aumento do afluxo de doentes, não houve, evidentemente, aumento concomitante dos profissionais ou melhoramento das estruturas físicas existentes, que já não eram propriamente abundantes e boas, respectivamente, antes desta engenhosa "reforma".
E os profissionais existentes estão, como é óbvio, descontentes.
Passaram a executar maioritariamente actos para os quais não estão vocacionados (atendimento de "patologia não-urgente" a granel). Passaram a estar sempre pressionados pelos doentes descontentes, que estão à espera de ser atendidos. Muitos sem doença urgente, mas também sem terem para onde ir resolver o seu problema, que carece, obviamente, de atenção médica. Passaram a ter menos tempo e disponibilidade para o atendimento aos doentes realmente urgentes (pois existem aqueles todos ainda por observar "além", que podem ser urgentes ou não). Passaram a estar mais cansados. Passaram a estar mais insensíveis ("eles que esperem, eu só vejo um de cada vez") e intolerantes com a pessoa-doente ou os seus acompanhantes ansiosos. Surgem conflitos irracionais, com doentes a culpar médicos e médicos a desdenhar as queixas da pessoa-doente.
Numa palavra: estes serviços de Urgência, agora mistos de SAP-Urgência, tornaram-se antros de descontentamento. Só lá está a trabalhar quem não tem como fugir àquilo (a não ser os "patos-bravos", vulgo tarefeiros, que ganham principescamente por hora de trabalho para efectuar aquele serviço, geralmente indiferenciadamente, e que não resolvem problemas nenhuns, apenas encaminhando-os ao pessoal "da casa", que tem essa capacidade). E só para lá vai aquele que não tem capacidade para recorrer a outro sítio mais humanizado para resolver o seu problema.
Mas poupa-se, sim senhor.

segunda-feira, 28 de janeiro de 2008

O Lado Positivo

Agora que vou deixar de frequentar (tanto) espaços fechados, como Centros Comerciais hiper-lotados, Cafés, e outros que tal.
A incidência na minha pessoa de síndromas gripais vai certamente diminuir, bem como de outros, aerossolo-transportados.
Agora só me falta, nesta cruzada por um futuro menos infectado, uma dispensa do Serviço nas Urgências do meu Hospital.
Mas para isso receio que seja preciso mais do que este venenoso vício....

Bombeiros

A propósito de uma recente polémica sobre a surpeendente impreparação de um par de corporações de bombeiros em dar resposta a uma solicitação por parte do CODU, só tenho a dizer o seguinte:
-???*
(*: -Mas do que estavam à espera???; -em que país andaram emigrados estes anos todos???)

quinta-feira, 24 de janeiro de 2008

Eureka! Ah....

APIFARMA contra venda em unidose "
A APIFARMA está contra a venda de medicamentos em unidose defendida pelo CDS-PP e que vai ser discutida esta quarta-feira no Parlamento. Os centristas consideram que esta medida seria muito positiva para o Estado, mas também para o consumidor. ( 07:58 / 23 de Janeiro 08 )
O presidente da APIFARMA está contra a proposta do CDS-PP relativa à venda de medicamentos em unidose, que será discutida esta quarta-feira no Parlamento e que vai ser chumbada pela maioria socialista (???). Almeida Lopes considera «irreflectida» e «desajustada no tempo» a proposta dos centristas, tendo o líder da APIFARMA recordado que o modelo apenas é aplicado no Reino Unido.«Neste momento, a unidose não existe país nenhum na Europa, à excepção do Reino Unido, onde pensa-se que virá a ser progressivamente abandonada», explicou o líder da Associação Portuguesa da Indústria Farmacêutica. Almeida Lopes adiantou ainda que a maior parte do mercado dos medicamentos refere-se a situações em que o paciente tem de tomar fármacos para o resto da vida, o que, na opinião deste responsável, torna indiferente a utilização da unidose. O líder da APIFARMA também não consegue entender como foi possível o CDS-PP chegar à conclusão que a utilização da unidose fará com que o Estado poupa cem milhões de euros ao ano. «Não sei se as contas estão erradas. Não conseguimos descortinar como é possível avançar uma conclusão tão espectacular», afirmou Almeida Lopes, que discorda do facto de haver desperdício de medicamentos. Almeida Lopes entende que o problema do desperdício não se põe no caso das doenças crónicas e que mesmo para o caso das doenças de curta duração, uma vez que o tamanho das embalagens não é desajustado. Citada pela agência Lusa, a APIFARMA entende ainda que a unidose «poderia acarretar um perigo para a saúde pública» (???), já que não estão acauteladas as «condições exigíveis de qualidade e segurança».
Por seu lado, a deputada Teresa Caeiro entende que a unidose seria não só boa para o Estado, pois este apenas «comparticiparia os medicamentos que são consumidos e necessários», mas também para o consumidor. «Poupamos nós, porque a esmagadora maioria dos medicamentos não tem uma comparticipação total e também nós não vamos estar a comprar caixas com medicamentos de que não vamos precisar», acrescentou. Por estas razões, a parlamentar não compreende como ainda não se avançou com esta medida que insistiu permitir ao Estado poupar cem milhões de euros por ano e que não é penalizadora para os consumidores. PSD, PCP e Bloco de Esquerda concordam com o projecto de resolução dos centristas, contudo o Governo só se compromete a aplicar o modelo nas farmácias hospitalares de venda ao público (???).
"
Este país, às vezes, não faz sentido....