quarta-feira, 25 de julho de 2007

domingo, 22 de julho de 2007

Retóricas

-Dr., vou morrer? -Claro que vai....

quinta-feira, 19 de julho de 2007

Os Inabaláveis

Quem faz Urgências sabe disso.
Quem vai às Urgências num dia mau (ou numa hora má) também.
Falo do problema recorrente da espera até ser atendido, e depois até ver concluída a investigação que se entendeu como apropriada.
Isso dá pano para posts durante os próximos anos, e por isso limito-me a comentar um "clássico":
O doente que é triado, e espera pela sua vez de ser atendido. Espera, espera, vê outros a chegarem depois e triados como prioritários relativamente a ele a passarem-lhe à frente, até que desespera.
No desespero tem vários raciocínios viciosos, próprios da paranóia que a ansiedade do momento proporciona, a saber: estes médicos não trabalham; isto da triagem é uma treta; o "sistema" é uma vergonha.
Dos pensamentos, comuns a todos nós mortais, aos actos, é uma questão de maior ou menor (respectivamente) educação. Aquela parte racional que se sobrepõe ao emocional. E o racional é: isto sucede porque de facto, e de acordo com o método de triagem, devo ser atendido depois de todos os que me estão a passar à frente; isto sucede devido à contenção de despesas necessária à sobrevivência do SNS, em que cada vez mais se escalam o número mínimo de profissionais necessários, e não o ideal, para servir de balão de oxigénio nas horas de maior afluência.
Pois, porque para haver atendimento rápido nas horas críticas, nos dias maus, nas estações más, é preciso, não se iludam, que durante boa parte do dia os profissionais presentes estejam sub-aproveitados. O preço? Mais dinheiro pago pela sua presença. O ganho? Atendimento célere a todos em qualquer altura, sem "rupturas".
Na situação actual, a corrente é de sentido inverso: mínimo necessário de meios humanos ao funcionamento "regular" na maior parte do tempo. O ganho? poupa-se umas valentes massas. O preço? Espera-se.
Às vezes muito; espera-se que a triagem funcione bem; e espera-se que não existam imponderáveis nas equipas escaladas (a falta de um elemento significa muitas vezes o descalabro...).
Mas saibam que a espera não quer dizer que "ninguém liga" à doença (está apenas priorizada como sendo passível de atendimento mais tardio relativamente a outras...); e saibam que a espera não quer dizer que "não se está a trabalhar" atrás da porta que separa os balcões da sala de espera (pelo contrário, o trabalho torna-se mais contínuo, visto que não há pausas obrigatórias, por ausência de doentes para atender...).
Eu não compreendo muito bem que se "poupe" nas Urgências.
Acho que se deve melhorar o sistema de trabalho (com equipas próprias, como se está a começar a fazer). Mas se há sítio onde de facto se trabalha, pela minha experiência, é no atendimento das Urgências. E se há sítio onde não se pode "arriscar" falta de meios, também é nas Urgências. Pela sobrecarga que isso representa para os profissionais presentes. Pela importância, sobretudo em Portugal em que os Cuidados Primários ainda falham muito, de não se deixar passar nada em claro (porque não há "rede").
Sob pena de acontecer o que vai sucedendo no dia-a-dia dos hospitais. Pessoas que quando são atendidas estão fartas da vida pela longa espera. Médicos que quando atendem estão fartos da vida pelo trabalho contínuo (que é muito cansativo, acreditem...).
Espera-se do doente que não descarregue nos profissionais (mas sim no livro de reclamações, aliás sub-utilizado) a sua frustração. Espera-se dos profissionais que sejam monges budistas quando certos doentes os insultam, por esperas às quais eles são alheios, e por afluências invulgares das quais são as principais vítimas.
Já tive problemas por não ser um monge budista. Ninguém compreende (na "sociedade") que eu ou outro profissional de saúde não seja um monge budista. E por isso mesmo, não tenho outro remédio senão travestir-me, não o sendo, de monge budista, uma vez por semana.
Isso resulta em menos problemas sociais, mas reconheço que perturba a minha saúde mental.
E às vezes falha.
É a vida....

Reforços!

Isto de blogs, para estreantes, tembém implica formação contínua.... Eu descobri que não dava conta disto sozinho. Por isso, minhas senhoras e meus senhores, eis os meus bons amigos, nesta classe onde a gente decente pelo visto tanto rareia: -Maimonides e Choque Céptico! Uma junta...

Armas silenciosas para guerras tranquilas - estratégias de programação da sociedade

1- A estratégia da diversão

Elemento primordial do controlo social, a estratégia da diversão consiste em desviar a atenção do público dos problemas importantes e da mutações decididas pelas elites políticas e económicas, graças a um dilúvio contínuo de distracções e informações insignificantes.

"Manter a atenção do público distraída, longe dos verdadeiros problemas sociais, cativada por assuntos sem importância real. Manter o público ocupado, ocupado, ocupado, sem nenhum tempo para pensar, voltado para a manjedoura com os outros animais".

2- Criar problemas, depois oferecer soluções

Este método também é denominado "problema-reacção-solução". Primeiro cria-se um problema, uma "situação" destinada a suscitar uma certa reacção do público, a fim de que seja ele próprio a exigir as medidas que se deseja fazê-lo aceitar. Exemplo: deixar desenvolver-se a violência urbana, ou organizar atentados sangrentos, a fim de que o público passe a reivindicar leis securitárias em detrimento da liberdade. Ou ainda: criar uma crise económica para fazer como um mal necessário o recuo dos direitos sociais e desmantelamento dos serviços públicos.

3- A estratégia do esbatimento

Para fazer aceitar uma medida inaceitável, basta aplicá-la progressivamente, de forma gradual, ao longo de 10 anos. Desemprego maciço, precariedade, flexibilidade, deslocalizações, salários que já não asseguram um rendimento decente, tantas mudanças que teriam provocado uma revolução se houvessem sido aplicadas brutalmente.

4- A estratégia do diferimento

Outro modo de fazer aceitar uma decisão impopular é apresentá-la como "dolorosa mas necessária", obtendo o acordo do público no presente para uma aplicação no futuro. É sempre mais fácil aceitar um sacrifício futuro do que um sacrifício imediato. Primeiro porque a dor não será sofrida de repente. Segundo, porque o público tem sempre a tendência de esperar ingenuamente que "tudo irá melhor amanhã" e que o sacrifício exigido poderá ser evitado. Finalmente, porque isto dá tempo ao público para se habituar à ideia da mudança e aceitá-la com resignação quando chegar o momento.

5- Dirigir-se ao público como se fossem crianças pequenas

A maior parte das publicidades destinadas ao grande público utilizam um discurso, argumentos, personagens e um tom particularmente infantilizadores, muitas vezes próximos do debilitante, como se o espectador fosse uma criança pequena ou um débil mental. Quanto mais se procura enganar o espectador, mais se adopta um tom infantilizante.

"Se se dirige a uma pessoa como ela tivesse 12 anos de idade, então, devido à sugestibilidade, ela terá, com uma certa probabilidade, uma resposta ou uma reacção tão destituída de sentido crítico como aquela de uma pessoa de 12 anos".

6- Apelar antes ao emocional do que à reflexão

Apelar ao emocional é uma técnica clássica para fazer curto-circuito à análise racional e, portanto, ao sentido crítico dos indivíduos. Além disso, a utilização do registo emocional permite abrir a porta de acesso ao inconsciente para ali implantar ideias, desejos, medos, pulsões ou comportamentos...

7- Manter o público na ignorância e no disparate

Actuar de modo a que o público seja incapaz de compreender as tecnologias e os métodos utilizados para o seu controle e a sua escravidão.

"A qualidade da educação dada às classes inferiores deve ser da espécie mais pobre, de tal modo que o fosso da ignorância que isola as classes inferiores das classes superiores seja e permaneça incompreensível pelas classes inferiores".

8- Encorajar o público a comprazer-se na mediocridade

Encorajar o público a considerar bom o facto de ser idiota, vulgar e inculto...

9- Substituir a revolta pela culpabilidade

Fazer crer ao indivíduo que ele é o único responsável pela sua infelicidade, devido à insuficiência da sua inteligência, das suas capacidades ou dos seus esforços. Assim, ao invés de se revoltar contra o sistema económico, o indivíduo desvaloriza-se e culpabiliza-se, criando um estado depressivo que tem como um dos efeitos a inibição da acção. E sem acção, não há revolução!...

10- Conhecer os indivíduos melhor do que eles se conhecem a si próprios

No decurso dos últimos 50 anos, os progressos fulgurantes da ciência cavaram um fosso crescente entre os conhecimentos do público e aqueles possuídos e utilizados pelas elites dirigentes. Graças à biologia, à neurobiologia e à psicologia aplicada, o "sistema" chegou a um conhecimento avançado do ser humano, tanto física como psicologicamente. O sistema chegou a conhecer melhor o indivíduo médio do que este se conhece a si próprio, permitindo deter um maior controlo e um maior poder sobre os indivíduos.

Ver Armas silenciosas para guerras tranquilas

Cepticemia

Um artigo publicado em Dezembro de 2003 no jornal britânico Guardian refere que centenas de artigos publicados em jornais médicos são escritos por autores fantasma e assinados por médicos ou académicos, preferencialmente conhecidos e com capacidade de influenciarem opiniões, a soldo das companhias farmacêuticas. Tendo essas publicações forte influência nos hábitos de prescrição e nos tratamentos providenciados pelos hospitais, há assim repercussão directa no lucro daquelas.

Esse estudo estima que cerca de metade dos artigos dessas publicações seja escrito por autores fantasma. Esta prática atinge até bíblias médicas como o New England Journal of Medicine, o British Medical Journal e a Lancet, sendo praticada por importantes companhias como a AstraZeneca e a Pfizer. O Dr. Richard Smith, editor do British Journal of Medicine, admitiu que esta prática é um problema grave, dizendo que são enganados pelas companhias farmacêuticas. “Os artigos chegam com o nome de médicos, descobrindo-se com frequência que alguns deles têm pouca ou não têm ideia do que escreveram”.

A deificada medicina baseada na evidência tem muito que se lhe diga, não é? A evidência é como a verdade: pode ter tantas cores e ângulos quantos os olhos que a vêem.

quinta-feira, 12 de julho de 2007

Numerus Clausus

Os dois gumes da faca:
-Se demasiado restritivo, torna refém o Estado (logo, os Cidadãos), dos caprichos corporativistas de uma classe;
-Se demasiado liberal, torna precário o exercício de uma profissão, deixando os profissionais à mercê de leis de mercado, o que em saúde é seguramente perigoso....
Ou seja, dever-se-iam formar profissionais qb que preenchessem os quadros do Estado no SNS, e mais uma determinada percentagem de supra-numerários, apenas para colmatar lacunas e não deixar que se apliquem critérios meritocráticos na ocupação dos cargos, bem como preencher um sector privado que se pretende competitivo, e "a puxar" pelo público.
Claro que pelo meio têm que ser alteradas as regras quase todas da função pública.
Em 1º lugar, deixarem de ser de nomeação partidária os postos administrativos, e estarem dotados de significativa autonomia na gestão.
Em 2º lugar, criarem-se condições e mecanismos para os Directores de Serviço serem nomeados, o desempenho dos serviços que os mesmos dirigem servir para avaliar a gestão das chefias, e os mesmos directores serem responsabilizados por aquelas pelo funcionamento do serviço.
3º: criarem-se condições para os elementos constituintes dos serviços estarem todos sob a alçada desse director, serem da escolha do mesmo, e flexibilizar-se essa constituição e escolha.
4º: separar de uma vez por todas o privado do público
Ou seja, tudo ao contrário do que vai sucedendo hoje em dia.
As administrações, boas ou más, lá se vão sucedendo ao sabor das cores governativas, incólumes na sua incompetência, não recompensadas nos méritos.
Os directores de serviço, bons ou maus, perpectuam-se ou são discriminadamente destituídos nos cargos, ao sabor dos mesmos critérios (partidários). E os elementos que constituem os mesmos serviços não estão sob a alçada do director, não são escolhidos pelo director e nem têm sequer que obedecer ou alinhavar com as linhas estratégicas que o director, se lhe apetecer, quiser traçar. E não estamos a falar apenas de médicos, mas de todos os elementos que constituem um serviço hospitalar. Cada grupo com o "seu" director. Cada grupo com a "sua" linha estratégica, quando essa existe. Cada grupo com as "suas" queziliazinhas e rivalidadezinhas bacocas.... Basta aliás passear por uns quantos blogs para se perceber isso.
Em suma, isto é tudo uma enorme bandalheira. E só pode melhorar.
Só espero que não a custo dos justos. Duvido.

quarta-feira, 4 de julho de 2007

Lei Anti-Tabaco IV

"Despesas"* do estado com o tabaco
Segundo uma estimativa divulgada pelo Infarmed, o tabaco foi responsável, em 2005, por custos na ordem dos 434 milhões de euros (434.000.000 Euros) em internamentos hospitalares, medicamentos, consultas e exames.
De acordo com um estudo realizado por investigadores da Universidade Católica Portuguesa e da Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa, os internamentos motivados pelo tabagismo custaram 126 milhões de euros, uma verba que acresce aos mais de 308 milhões gastos em medicamentos, consultas e meios complementares de diagnóstico.
Valor de receita do imposto de consumo sobre o tabaco inscrita no Orçamento de Estado de 2007: 1.395.000.000 Euros.
*Leia-se: lucro

quinta-feira, 14 de junho de 2007

Séries Televisivas (Médicas)

Vejo apenas duas: o "House" e o "ER". Às vezes, geralmente em compactos que apanho casualmente nos fins de semana.
Mas gosto de ambos.
O House, um Internista por excelência (para os que não sabem o que é a Medicina Interna, finalmente existe uma referência globalmente conhecida para ajudar a fazer entender a coisa), retrata bem as virtudes e dificuldades das sua Especialidade. É a mãe de todas as Especialidades Clínicas, que trata o doente como ser global. É Cardiologia, Nefrologia, Neurologia, Psiquiatria, Gastrenterologia, Reumatologia, etc. Por vezes, em delírios próprios dos fazedores de séries menos conhecedores da realidade das coisas, até chega a ser Hemodinamista de intervenção, Cirurgião, Neuro-cirurgião, Imagiologista, Patologista Clínico, Anatomo-patologista, enfim, mesmo tudo, o que, convenhamos, rebenta com os limites do exagero, mesmo para um admirador como eu da Medicina Interna....
Mas lá transmite a mensagem: é a Medicina dos diagnósticos difíceis, dos diagnósticos raros, das doenças orfãs. É aquele a quem se recorre quando todos os outros desistiram. É uma Especialidade de intervenção, invasiva, iminentemente hospitalar. O "filho pródigo" do Intensivista (médico de Cuidados Intensivos). Lá como cá.
Claro que cá também trata Patologia de rotina de outras especialidades, e não apenas os casos difíceis. E sub-especializa-se em múltiplas áreas, conforme as carências locais dos diversos sítios. Aliás é interessante ver que a esmagadora maioria das sub-especialidades portuguesas tem como pais fundadores Internistas dedicados às respectivas áreas.
Também foca os grandes pontos fracos da Especialidade. O facto de ser iminentemente hospitalar, logo, pouco lucrativa porque sem saída na privada. O facto de não ser de todo rentável para qualquer administração que se preze, que preferem diagnósticos e tratamentos rápidos e lineares a grandes investigações (e investimentos) diagnósticos em doenças com tratamento prolongado. Pouco lucrativa para os próprios, dispendiosa para as administrações, e está encontrado o cocktail que leva à elevação do ego, condição sine qua non de quem opta pelo sacerdócio em causa. E que mais uma vez o House eleva ao exagero, com o seu espírito irrascível e cínico.
Mas é, sem dúvida, onde reside aquele "espírito" de Medicina que mora no subconsciente de todos.
O ER é também interessante, talvez uns furos abaixo do House (cujos diagnósticos são discutidos no dia-a-dia pela própria classe médica), e mostra um serviço de Urgência, caótico como os nossos, mas que em tudo o resto funciona bastante melhor.
As grandes diferenças?
Se no House residem essencialmente nas melhores condições físicas, e no exagero da exponenciação dos skillings do seu team, no ER tem a ver com quase tudo, no que ao trabalho médico diz respeito. Aqui não nos limitamos a ver o doente e a pedir os exames, que aparecem feitos depois. Aqui temos que ver o doente (e ver implica fazer tudo, desde medir a tensão até puxar o aparelho dos ECG, colher algumas análises, preencher os pedidos de análises e exames imagiológicos (quem me dera que fosse como na série, em que basta falar e alguém aponta essas coisas todas, e pode-se passar logo para o doente seguinte...), regatear os exames ou observações com os colegas com as esperas que isso implica (há que encontrá-lo primeiro...), .... No fundo, lá optimiza-se tudo, a acreditar da similitude da série com a realidade deles. O médico faz trabalho de médico, o secretário faz o trabalho de secretariado. Cá o médico faz tudo, e ninguém se importa que por fazer tudo, faça menos Medicina.
Bem, no fundo e em suma, séries boas de se ver para passar o tempo.

terça-feira, 29 de maio de 2007

Greve

Eu não acredito em greves.... O fundamento da coisa está no incómodo que podemos causar ao cidadão comum, com a agravante de no nosso caso ser um cidadão potencialmente doente, incómodo de tal forma insuportável que o levamos a pressionar as instâncias x a vergarem-se perante uma reinvidicação (mais ou menos legítima) dessa forma, digna dos desígnios de certo Marquês do passado. Ou seja, chateamos uns para esses lá convencerem o outro a fazerem o que nós queremos. Ainda que o outro ache que não temos razão nenhuma, e que os primeiros gostassem na realidade é que nos obrigassem a trabalhar, quiçã com umas vergastadas com vara verde para nos deixarmos de caprichos. É perverso, já que os mais fracos é que sofrem, e ser pela exaustão dos mais fracos que se procura atingir um determinado fim. Quantos de nós não quiseram já passar com 8 carruagens por cima do maquinista da CP que se baldou numa greve, ou do motorista da Carris? Por aí depreendo que com os médicos não há de ser diferente, quando um doente chega ao almejado dia da consulta, muitas vezes marcada tardiamente relativamente à sua necessidade, e chegado o bendito conclui que por infelicidade esse calhou num dia de greve e o médico ficou em casa, com marcação posterior da mesma. Ou chega à Urgência e nota que as centenas de almas que deveriam ir ao SAP da zona (agora USF) acabaram por optar pelo serviço de Urgência Central, e estão à sua frente? E quem não tem capacidade para chatear, numa sociedade assim, lixa-se. Pois não pode fazer greve. Pena é que também se lixe quem tem esse poder e não o exerce. Bem sei que o autismo das entidades eleitas pode também levar ao desespero daqueles que lhes tentam fazer chegar a voz, por vezes razoável. Mas não devia ser assim. Ou só devia ser assim em último caso. E em último caso não é uma vez por ano. É uma vez por legislatura, ou menos ainda, e ter adesão total (senão revela que o protesto nem chega a ser consensual) e prolongada. E deve ser séria, ser explicada (a começar aos interessados na greve, o que raramente é o caso). E nunca coincidir com tangentes aos fins de semana (honra seja feita a esta...). Eu não vou fazer greve. Vou votar, daqui a poucos anos. PS: acabo aqui, já que bem sei que isso do "votar" teria mais uma bíblia de considerações pela frente, e uma conclusão triste. Mas olho para a França e espero um futuro melhor, nesse capítulo de Democracia participativa....