segunda-feira, 5 de fevereiro de 2007
Ilicitudes IX
Aquele que só se mobiliza contra as carências quando disso advém interesse directo para o próprio. E não para terceiros sem significado em termos de auto-promoção.
Ilicitudes VIII
Aquele que atende fulano de uma determinada maneira, pior, ou de uma forma mais convencional, por ser desconhecido; e beltrano de outra, distinta, reverencial, por ser detentor de um qualquer cargo de poder.
Ilicitudes VII
Aquele ou aquela que faz x, quando é público, num determinado intervalo de tempo; e faz x+y quando é privado, no mesmíssimo intervalo.
Ilicitudes VI
Aquele e aquela que se esquecem demasiado frequentemente da posição de fragilidade em que se encontram os doentes que a eles recorrem, insultando, achincalhando, apoucando, ou simplesmente não empatizando com uma determinada pessoa doente, que não é médica. E que não se consegue defender, pelos piores motivos. A doença. A fragilização....
Ilicitudes V
Aquele e aquela que optam pelo atalho no dia-a-dia, pela mediocridade qualitativa, sem qualquer penalização relativamente a todos os que prezam prestar um melhor serviço, com maior qualidade, a outrém. À custa, claro, de mais trabalho.
Ilicitudes IV
Aquele e aquela que se propõem a tanto trabalho extraordinário em serviços de Urgência que se torna matematicamente impossível cumprirem o demais horário de trabalho. Assim lesando aqueles que cumprem honestamente o seu horário de trabalho, sem o acréscimo remuneratório dos primeiros (ilícito, já que às custas de horário que teriam contratualmente que cumprir).
Ilicitudes III
Aquele ou aquela que, tendo consulta aberta a um número limitado de doentes, opta por reencaminhar sempre os mesmos periodicamente à mesma, já conhecidos, e quantas vezes estáveis, por forma a não ter o trabalho de observar novos pacientes, mantendo assim artificialmente um número elevado de consultas, semelhante àquele que tem rotação de doentes e desse modo serve uma maior base populacional.
Ilicitudes II
Aquele ou aquela cujo horário de trabalho é sobreponível aos demais, ganhando na íntegra segundo esse horário tal como os demais, mas que opta por apenas cumprir o mínimo possível por forma a poder dedicar mais tempo a um emprego paralelo no sector privado.
Ilicitudes I
Aquele ou aquela que, estando de presença num determinado Serviço de Urgência, pago tal como os demais por lá presentes por força da escala do dia, decide trabalhar menos que os outros, e pior que os outros, obrigando-os por sua vez a suportar o fardo de um elemento inútil e gerador de ainda maior sobrecarga de trabalho.
terça-feira, 30 de janeiro de 2007
IVG?
Nada contra, em termos de conceito de "vida fetal". Nesse campo entram as convicções pessoais, e a minha é a de que o direito à vida começa quando a vida independente é viável (ou seja, nunca antes das 20 e tal semanas).
Desde que os direitos do pai biológico sejam respeitados (ou tem uma palavra a dizer, se for caso disso, e se disser não a mulher não aborta; ou não tem uma palavra a dizer, e se disser não desvincula-se das responsabilidades imputáveis a um pai biológico nos dias de hoje).
Desde que não implique o recurso ao SNS.
Porque a gravidez é da responsabilidade dos... responsáveis. E não de todos nós (há meios eficazes de a evitar). Logo, o aborto em estabelecimento próprio deve ser exclusivamente do encargo de quem não tomou as devidas precauções.
Porque há listas de espera, e estamos a falar de Ginecologia e Obstetrícia, para cirurgias a neoplasias da mama, do útero, dos ovários, e para uma série de outros procedimentos que, até estarem assegurados a todas que delas precisam (e estamos a falar de situações que não decorrem de outra coisa senão a fatalidade da doença...), não devem nunca ser ultrapassadas por aquilo que é consequência de um acto irreflectido. É da mais elementar justiça. Logo, abortos voluntários dentro do prazo, para já não.
É mais ou menos essa, a posição deste blog.
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